O que são as “indulgências” do catolicismo?

Na doutrina católica Indulgência (do latim indulgentia, que provém de indulgeo, “para ser gentil”) é o perdão fora dos sacramentos, total ou parcial, “da pena temporal devida, para a justiça de Deus, pelos pecados que foram perdoados,”   …
Ou seja, do mal causado como conseqüência do pecado já perdoado, “a remissão é concedida pela Igreja no exercício do poder das chaves, por meio da aplicação dos superabundantes méritos de Cristo e dos santos, por algum motivo justo e razoável. Embora no sacramento da Penitência a culpa do pecado é removida, e com ele o castigo eterno devido ao pecado mortais, ainda permanece a pena temporal exigida pela Justiça Divina, e essa exigência deve ser cumprida na vida presente ou no mundo vindouro, isto é, o Purgatório. Uma indulgência oferece ao pecador penitente meios para cumprir esta dívida durante sua vida na terra”, reparando o mal que teria sido cometido pelo pecado.
As indulgências foram concedidas no início da Igreja para reduzir as penitências muito severas, desenvolvendo-se plenamente no século III.
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Acreditava-se que Cristo em pessoa, a Virgem Maria e muitos santos tivessem ganhado, durante sua vida, um “superávit” de mérito que poderia ser distribuído entre os infiéis ou fiéis menos praticantes. Para se diminuir a culpa e a pena desses pecadores, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, durante fins da Idade Média Européia, passa a fazer “negócios” com essa “graça”, em troca claro, de parte do patrimônio dos desafortunados.
Durante o Pontificado do Papa Leão X (1513 – 1521), essa prática atingiu o seu auge.
Seque aqui, uma lista, isso mesmo, uma lista com alguns dos perdões previstos e seus respectivos valores ou pagamentos.
1. O eclesiástico que incorrer em pecado carnal, seja com freiras, primas, sobrinhas, afilhadas ou, enfim, com outra mulher qualquer, será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2. Se o Eclesiástico, além do pecado de fornicação, pedir para ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deverá pagar 219 libras e 15 soldos. Mas tiver cometido pecado contra a natureza com crianças ou animais, e não com uma mulher, pagará apenas 131 libras e 15 soldos.
3. O Sacerdote que deflorar uma virgem pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A Religiosa que quiser ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultaneamente ou sucessivamente, dentro ou fora do convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver em concubinato com seus parentes pagarão 76 libras e 1 soldo.
6. Para cada pecado de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo.
7. A mulher adúltera que pedir a absolvição para se ver livre de qualquer processo e ser dispensada para continuar com a relação ilícita pagará ao Papa 87 libras e e 3 soldos. Em um caso análogo, o marido pagará o mesmo montante; se tiverem cometido incesto com o próprio filho, acrescentar-se-ão 6 libras pela consciência.
8. A absolvição e a certeza de não ser perseguido por crime de roubo, furto ou incêndio custarão ao culpado 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de homicídio simples cometido contra a pessoa de um leigo custará 15 libras, 4 soldos e 3 denários.
10. Se o assassino tiver matado dois ou mais homens em um único dia, pagará como se tivesse assassinado um só.
A lista da “safadeza” é longa, segue com pelos menos 35 condições de pagamento.
Para ler mais, consultar: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO – Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus.
Autores: Jacopo Fo., Sergio Tomat e Laura Malucelli
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Johann Tetzel
(1465-1519)
foi um monge Dominicano que é, talvez, mais conhecido por vender indulgências durante o século XVI. Em 1517, Tetzel tentava levantar recursos para a então construção da Basílica de São Pedro, um dos fatos que inspirou Martinho Lutero a escrever as 95 Teses.
Nascido em Leipzig, morreu naquela mesma cidade em julho de 1519.
Johann Tetzel estudou teologia e filosofia na Universidade de Leipzig, entrando para a ordem Dominicana em 1489, onde alcançou algum sucesso como pregador, e em 1502, foi nomeado pelo Papa a pregar e vender as Indulgências do Jubileu, o que fez por toda a sua vida. Em 1509 foi nomeado inquisidor, e em 1517, o Papa Leão X, o fez Comissário de Indulgências para toda a Alemanha.
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Para saber mais click

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