Rocha ferida: “O Rodolfo dos Raimundos morreu aos 27 anos”

“Não voltaria por valor algum”. Essa é a resposta de Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, sobre um possível retorno à banda que ajudou a formar em Brasília no final dos anos 80.

Em entrevista à edição de cinco anos da revista “Rolling Stone Brasil”, que chega às bancas na sexta-feira (14), o cantor de 39 anos é enfático ao dizer que “o Rodolfo dos Raimundos morreu aos 27 anos”, idade que começou a enfrentar uma crise na banda
A afirmação parece fazer uma alusão ao chamado “Clube dos 27”, composto por músicos problemáticos que morreram nesta idade como Kurt Cobain, Jimi Hendrix e, mais recentemente, Amy Winehouse. “Amo os caras [da antiga banda], não tenho problema. Meu caminho é este, minha vida é falar de Jesus”, diz ele na entrevista, que agora é missionário da Igreja Bola de Neve de Balneário Camboriú (SC).
Na entrevista, Rodolfo fala sobre a banda, a igreja, suas aspirações e relembra o passado. “Tudo o que sabiam de mim era ‘Rodolfo dos Raimundos’. Parecia que eu era aquilo. Só que eu não era aquilo, eu tinha me tornado aquilo”, ele conta sobre a saída da banda, em 2001, cinco meses depois de ele entrar na Igreja. “Eu estava num tribunal sendo acusado de ter traído o rock”, recorda o músico, que diz não sentir rancor das pessoas que o criticaram.
A última vez que Rodolfo esteve com os antigos parceiros de Raimundos, conforme ele conta na entrevista, foi em 2007, no velório do pai, em Brasília. O guitarrista, Digão, o baterista, Fred, e o baixista, Canisso, apareceram para oferecer os ombros ao amigo, e desde então não se falaram mais. “O Canisso tocou comigo no Rodox um tempo. A gente sempre se deu muito bem. Não que não me desse bem com os outros, mas parece que o Digão e o Fred ficaram muito magoados”.
Enquanto se dedica a ministrar cultos, uma nova formação dos Raimundos segue na estrada com Digão nos vocais, Canisso no baixo, Caio na bateria e Marquinho na guitarra. Em junho deste ano, a banda lançou o CD e DVD ao vivo “Roda Viva”.
Rodolfo Abrantes é hoje um missionário. Aos 39 anos, é membro da Igreja Bola de Neve em Balneário Camboriú (SC), onde mora. Cita trechos da Bíblia com a facilidade de um teólogo veterano. Passa os finais de semana na estrada, acompanhado por sua banda atual e, na maioria das vezes, pela esposa, Alexandra, com quem está casado há dez anos. Desde então, tem o rock como um veículo para falar de Jesus. Durante a semana, pega onda e, sempre que precisa, realiza voluntariamente os cultos das quartas-feiras na igreja local. Para sua fase “zen-cristã-surfista”, a cidade do litoral catarinense é o cenário ideal. Seu sustento vem das vendas de CDs, cachês das apresentações e contribuições voluntárias das igrejas onde toca.
Abaixo o testemunho de Rodolfo

“Cara, é algo muito estranho”, ele pensa, sorrindo. “É o mesmo nariz, algumas tattoos são as mesmas, mas eu não consigo me lembrar do que eu pensava. Tento imaginar o que me levou a falar aquilo.” É como se de fato aquele Rodolfo fosse outro, tal qual previsto na passagem bíblica registrada no segundo livro de Coríntios, capítulo 5, versículo 17: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas velhas já passaram e tudo se fez novo”. “É outra vida, brother”, ele decreta, calmamente. “Eu não consigo entender aquele cara.”

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