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Como nasceram os épicos bíblicos?


Nos anos 40 os irmãos Harry e Jack Cohn estavam à frente do poderoso estúdio Columbia. Eles se odiavam e um dia tiveram uma briga estrondosa por causa de religião...





- Não meta o nariz na parte dos negócios, retrucou raivoso Harry diante da proposta do irmão Jack de fazer um filme bíblico.
- Só pensei que podíamos fazer um filme bíblico, Harry, só isso, continuo Jack. – Tem um monte de histórias boas na Bíblia, argumentou.
- Que diabos entende você da Bíblia?, desafiou o irmão. – Aposto que você não sabe que nem o Pai-Nosso!
- Claro que sei, desafiou Jack.
- Sabe o cacete! – ironizou Harry. – Aposto cinqüenta dólares que você não reza o Pai-Nosso. Vamos lá, aposte o dinheiro ou cale a boca.
Assim, cem dólares foram colocados sobre uma mesa.
- Tudo bem, reze, disse Harry aos faniquitos.
- Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…, começou Jack, com orgulho soberbo.
- Pare, pare, irritou-se Harry, entregando o dinheiro ao irmão com relutância, arrematando zangado. – Achei que você não soubesse.
Bem, a história é de um surrealismo ululante, mas a segunda onda de filmes religiosos que invadiram Hollywood em meados da década de 40 e 50 começou assim, de um mal-entendido escandaloso entre dois ignorantes no assunto.
Mas, que segunda onda era essa afinal? Bem, nos anos 20 e 30 o poderoso diretor e produtor Cecil B. De Mille, já uma legenda naqueles auspiciosos anos, havia implementado a primeira incursão no gênero ao arregaçar as mangas e colocar Moisés para atravessar o Mar Vermelho e Jesus dependurado numa cruz em grandes produções de sucessos como Life of Moses e The king of Kings.

O poderoso diretor e produtor Cecil B. DeMille acreditava ser o escolhido de Deus para adaptar a Bíblia para o cinema
Nos anos 40, mais poderoso do que nunca – a ponto de o dramaturgo Nelson Rodrigues sempre mencioná-lo em tom de piada em suas crônicas quando queria enfatizar algo grandioso – De Mille novamente encabeçaria a segunda onda de épicos bíblicos com a realização, em 1949, da clássica história de amor e traição vivida por Sansão e Dalila. E porque, não? Afinal, eles tinham na figura de Cristo um garoto-propaganda formidável e como símbolo simples, mas eficiente, a cruz.
Daí para frente o que se veria era um enxame de inspirações caça-níqueis que se materializaram em superproduções épicas com temáticas religiosas tque marcariam toda uma geração como Quo vadis (1951), O manto sagrado (1953), Os dez mandamentos (1956)Ben-Hur (1959), Barrabás (1961), O rei dos reis (1961)Cleópatra (1962), A queda do império romano (1964), A Bíblia… No início (1965) e tantas outras.
O que poucos sabiam é que, por trás de conflituosos duelos financeiros e, hediondas brigas por bilheterias, muitos desses filmes traziam em seus enredos veladas críticas e observações sobre as doenças e vilanias do mundo moderno como a ganância dos homens no poder perpetrada na figura do faraó Ramisés emOs dez mandamentos, o homossexualismo em Ben-Hur, o medo e as conseqüências da ascensão do nazismo em Quo Vadis.
O curioso ainda é que os mais tocantes filmes sobre o tema não tiveram Jesus Cristo, a figura central da fé cristã, como protagonista principal. Aliás, algumas delas nem aconteceram de fato, como a trajetória após a libertação na Páscoa do ladrão e assassino Barrabás, romanceada por Pär Lagerkvist, ou a trágica saga do judeu nobre Judah Ben-Hur, roterizada por Karl Tunberg, a partir de um argumento, olha vejam só, do escritor norte-americano Gorel Vidal.
Bem, ao usar como esteio uma das maiores história de todos os tempos, a Paixão de Cristo, muitos desses filmes faz com que seus personagens, de uma maneira ou de outra, cruzem com os caminhos do Salvador, construindo verdadeiros ensaios sobre a moral, a fé, a culpa, o perdão e, sobretudo, o amor ao próximo.
A seguir, um top five pessoal com curiosidades e comentários dos melhores filmes bíblicos que me marcaram
Sansão e Dalila (1949) – É a maior história de amor e traição que a humanidade já conheceu e que o cinema já contou. Tirada do Velho Testamento, narra história de um judeu dotado de força descomunal que tem seus sentimentos negligenciados pelos interesses escusos da diabólica rainha dos filisteus Dalila, interpretada pela deliciosa Hedy Lamarr.
Realizado com recursos tecnológicos medíocres para época, um detalhe que hoje faz a alegria de gente como Steven Spielberg, o filme, dirigido pelo próprio Cecil B. DeMille tem momentos mágicos, como a furiosa sequência em que Sansão, armado de uma queixada de burro, mata uma legião de soldados ou a cena final em que, cego e com as madeixas recuperadas, ele põe abaixo um templo inteiro. Gosto daquele em que ele mata um leão com as próprias mãos.
Quando o filme estreou, o comediante Groucho Marx foi ver o filme e quando viu o ator Victor Mature na pele do herói bíblico tomou um susto, mas não perdeu a piada. “Não assisto a filmes em que o busto do ator seja maior do que o da atriz”, disse.

Peter Ustinov soberbo como o imperador Nero em Quo Vadis, botando fogo nos cristãos e em toda Roma
Quo Vadis (1951) – Baseado na novela do escritor Henryk Sienkiewicz, o roteiro dessa primeira grande superprodução religiosa não tinha como fonte a Bíblia, mas se encaixou com perfeição ao gênero, tanto que é um dos maiores sucessos da safra. Na história, o bonitão Robert Taylor vive um arrogante comandante romano pagão que reluta em não aceitar Jesus e a fé cristã em seu coração. O amor da bela jovem Lígia (Deborah Kerr) é a única coisa que ele quer que preencha seu peito.
Mas Roma é governada pelo insano imperador Nero, matricida que é uma caricatura afetada de Hitler. Sua sede de poder é inesgotável, os limites da loucura também não têm fim até o dia em que ele coloca fogo em Roma, dado início a derrocada de um dos maiores impérios que o mundo já conheceu.
Produção imponente que chegou a ter John Houston como diretor e o galã Gregory Peck na pele do aristocrata romano, Quo Vadis, rodado no mítico estúdio Cinecittá, em Roma, contou com 60 mil figurantes, mais de 50 leões conseguidos nos circos europeus e admiração do papa Pio XII. Na trama, as sinuosas armadilhas urdidas pelos caminhos passionais da ideologia, aqui travada no embate ferrenho entre a fé cristã e a força eloquente romana.
Dirigido por Marvyn Leroy, homem de confiança do produtor Louis B. Mayer chamado às pressas para tocar adiante o projeto, o filme tem nas atuações o ponto alto. Destaque para os coadjuvantes, entre eles o excelente Peter Ustinov, como o nefasto Nero e Leo Genn aqui soberbo como o diplomata e governador Caius Petronius, o homem que radiografou a vida mundana dos submundos de Roma na clássica obra Satíricon, imortalizada por Fellini nas telonas.
Preste atenção nas magníficas cenas que reproduzem o circo de Roma, cujo ápice está na batalhar mortal entre um touro irascível e o gigante judeu Ursus.

Richard Burton no clássico do gênero que foi o primeiro filme em cinemascope da história do cinema
O manto sagrado (1953) –Esse épico tonitruante passado na época de Cristo foi o primeiro filme rodado em cinemascope da história do cinema. Baseada na obra de Lloyd C. Douglas, narra trajetória do centurião Marcellus Gallio, o ator Richard Burton num de seus primeiros papéis expressivo. Ele é o soldado encarregado de supervisionar a crucificação de Cristo, mas ao ganhar o manto que cobria o filho de Deus num jogo de azar, no pé da cruz, tem sua vida transformada para sempre.
Também estrelados por Jean Simmons e Victor Mature, esse clássico do gênero renderia uma continuação no ano seguinte, com o gradalhão Victor Mature como um dos heróis da arena de Roma em Demetrius e os gladiadores.
A cena de maior impacto está logo nos primeiros minutos, quando manto de Cristo, como num passe de feitiçaria, enforca um dos soldados de Roma, quase o matando.
Os dez mandamentos (1956) – Segundo o escritor, crítico de cinema e jornalista Ruy Castro, Cecil B. DeMille acreditava ser o escolhido de Deus para adaptar a Bíblia inteira para as telas. E só não fez isso por falta de tempo. Responsável por inaugurar o gênero ainda na década de 20, o mítico diretor e produtor, que já havia contado a vida de Moisés no cinema, volta às origens nessa mega, hiper, superprodução de 1956.
O filme traz a assinatura do grande mestre e um elenco fabuloso encabeçado por Charlton Heston, que aqui segue os passos de sofrimento e cativeiro do patriarca hebreu. Fazem parte do cast ainda astros como Anne Baxter, Edward G. Robinson, Vincent Price e Yul Brynner, magistral na reencarnação do faraó Ramsés.
Figura respeitada na corte egípcia, na condição de príncipe, Moisés renega uma vida de privilégios e ostentações para salvar o seu povo da escravidão. Perseguido pelo faraó Ramsés, vive décadas no exílio até ser o escolhido de Deus para conduzir os hebreus à liberdade. Mas não será fácil, enfrentando obstáculos como a travessia do Mar Vermelho e a descoberta, no Monte Sinai, das tábuas sagradas que trazem os Dez Mandamentos.
Norteado pelo tema da inveja e da esperança, o filme teve o roteiro baseado nas escrituras sagradas e cenas rodadas no próprio país dos faraós onde uma população inteira de figurantes fora usada, cerca de 60 mil pessoas. E não só isso, cenários suntuosos foram erguidos da noite para o dia e uma legião de técnicos desembarcou na região do Nilo para DeMille pudesse realizar seu sonho megalomaníaco.
Num dos documentários sobre o filme, o astro Charlton Heston lembraria a grandiosidade do set num episódio divertido em que um dos câmeras não consegue ouvir as instruções do diretor, depois outros dois fracassam na tentativa de filmar a famosa cena do êxodo.

Charlton Heston (esq.) na furiosa e inesquecível corrida de bigas no maior e melhor de todos os épicos
Ben-Hur (1959) – Talvez o mais emblemático dos épicos já realizados, essa produção dirigida pelo mestre Willian Wyler foi ganhadora de 11 Oscars, incluindo o de melhor filme, diretor e ator para Charlton Heston. Um feito notório que só seria quebrado quase 40 anos depois com a bobagem sentimentalóideTitanic. O roteiro do filme, escrito por Karl Tunberg, em cima do argumento do então jovem e promissor escritor Gore Vidal, é uma jóia rara.
Importante membro de família nobre da Palestina, Judah Ben-Hur reencontra o amigo de infância Messala (Stephen Boyd), agora um arrogante comandante da guarda romana. Mudado e enfeitiçado pelo poder, ele tenta usar o companheiro do passado para tirar proveito em favor dos interesses de Roma na luta contra a ascensão do cristianismo.
O intento fracassa e como represália ele joga a mãe e a irmã do amigo judeu no calabouço, condenando-o a passar o resto de sua vida nas galés romanas. Mas um acidente em meio terrível batalha naval lhe dá a chance da liberdade e a esperança de vingar seu passado.
Pavorosa fábula sobre a vingança, a trama gira em torno de conceitos morais perturbadores como a culpa, o perdão, o medo da solidão e o rancor. “Você guarda muito ódio em seus olhos. Isso é bom, o ajuda a manter-se vivo”, ensina o general da galé que ele ajuda salvar. Mas o que poucos sabem é que o filme traz velada passagens que fazem alusão ao homossexualismo. Preste atenção nos personagens masculinos no filme.
Rodado no longínquo ano de 1959, o filme conta com uma das cenas mais fabulosas e inesquecíveis do cinema, na famosa sequência da corrida de bigas. Os cenários e sets são deslumbrantes e a direção de arte impecável, uma perfeição. Mas o melhor momento do filme é o mais intimista e teatral de todos. É quando Ben-Hur, quase desfalecido de sede, é ajudado pela figura mítica e imponente de Cristo, que perturba e emociona o espectador sem mostrar o rosto ou dizer uma palavra. Bom cinema é assim.

"Livre, quem, eu?!", Anthony Quinn em dúvida no papel do personagem-título
Barrabás (1961) – Não sei vocês, mas eu sempre tive curiosidade de saber o que tinha acontecido com o ladrão e assassino, Barrabás, depois de ser libertado, na Páscoa, em troca de Cristo. Mistério solucionado pelo escritor Pär Lagerkvist em sua novela que deu origem ao roteiro do clássico filme de 1961 estrelado por Anthony Quinn.
Nem precisa dizer que a atuação de Quinn está soberba, mas o grande mérito está no ótimo roteiro que explora os dramas da culpa e da consciência pesada do personagem que não consegue entender porque foi escolhido para viver no lugar do Salvador.
Atormentado por esse fantasma dia e noite e renegando a doutrina cristã, ele irá viver incríveis aventuras e tragédias pessoais que o tornará um dos mais destacados heróis do circo de Roma como gladiador, local onde todas as tramas do gênero parecem terminar. O desfecho é surpreendente e exemplar.


luciointhesky.wordpress.com






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2 Comentários:

Conectados disse... [Responder comentário]

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