A bíblia se contradiz? (Gênesis)

Quando os críticos da Bíblia perguntam: “Como você pode crer na Bíblia, estando ela crivada de erros?”, o que você responde? Muitos cristãos arremessam isso direto para a fé; apegam-se tenazmente à sua crença, não importando quanto possa haver de evidência em contrário. Entretanto, isso não só contraria as Escrituras como também é uma insensatez.

A Bíblia declara: “Portai-vos com sabedoria… para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4:5-6). Pedro instou aos crentes: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor” (1 Pe 3:15-16).
Gênesis

GÊNESIS 1:1 – Como
o universo pode ter tido um “princípio”, se a ciência moderna diz que
a energia é eterna?
PROBLEMA: De acordo com a
Primeira Lei da Termodinâmica: “a energia não pode ser criada, nem
destruída”. Sendo assim, então, o universo é eterno, já que ele é feito de
energia, que é indestrutível. Entretanto, a Bíblia indica que o universo teve
um “princípio” e que não existia antes de Deus o ter criado (Gn 1:1).
Não é isto uma contradição entre a Bíblia e a ciência?
SOLUÇÃO: Há um conflito de
opiniões aqui, mas na realidade não há contradição alguma. A evidência dos
fatos indica que o universo não é eterno, mas que realmente teve um princípio,
tal como a Bíblia diz. Algumas observações são relevantes para entendermos esta
questão.
            Em primeiro lugar, a Primeira Lei da
Termodinâmica, com freqüência, é incorretamente enunciada com a expressão:
“a energia não pode ser criada”. Entretanto, a ciência baseia-se na
observação, e afirmações como esta – que diz que a energia não pode ser criada
– não se baseiam na observação (como qualquer afirmação que use
“pode” ou “não pode”), mas são afirmações dogmáticas. A
Primeira Lei da Termodinâmica deveria ser corretamente enunciada da seguinte
maneira: “[Até o ponto em que se pode observar] o total de energia presente
no universo permanece constante”. Ou seja, pelo que se sabe, a
quantidade total de energia presente no universo não está diminuindo nem
aumentando. Posto desta forma, a Primeira Lei não faz referência alguma quanto
à origem da energia nem quanto ao tempo em que ela está presente no universo.
Assim, ela não contradiz a declaração de Gênesis de que Deus criou o universo.
            Em segundo lugar, outra lei
científica perfeitamente aceita é a Segunda Lei da Termodinâmica. Ela afirma
que “o total da energia utilizável no universo está
diminuindo”. De acordo com esta lei, o universo está decaindo. Sua energia
está sendo transformada em calor, que não é utilizável. Sendo assim, o
universo não é eterno, porque, se o fosse, a sua energia utilizável já
se teria esgotado há muito tempo. Ou, em outras palavras, se o universo está se
desfazendo (tendo a sua energia degradada), então houve um tempo em que toda a
energia foi feita. Se houvesse uma quantidade infinita de energia, ela não
estaria decaindo no universo. Portanto, o universo teve um princípio, tal como
Gênesis 1:1 diz.
GÊNESIS 1:1 – Como
o autor de Gênesis podia saber o que aconteceu na criação, antes mesmo de ele
haver sido criado?
PROBLEMA: A erudição
tradicional cristã tem sustentado que os cinco primeiros livros da Bíblia foram
escritos por Moisés. Os primeiros dois capítulos do livro de Gênesis descrevem
os eventos da criação sob o enfoque de uma testemunha ocular. Entretanto, como
poderia Moisés, ou qualquer outro ser humano, ter escrito esses capítulos, como
observador desses fatos se ele não havia sido criado ainda?
SOLUÇÃO: É claro que houve
uma testemunha ocular da criação – Deus, o Criador. Estes capítulos,
obviamente, são um registro da criação, que foi especificamente relatada por
Deus a Moisés, por meio de uma revelação especial. A tendência para se fazer
perguntas tais como: “Como o cronista poderia saber que os minerais
precederam as plantas o estas, os animais?”, denuncia um preconceito
contra o sobrenatural e uma recusa a considerar explicações alternativas, que
não as propostas pela ciência naturalística.
GÊNESIS 1:14 –
Como poderia haver luz antes de o sol ter sido criado?
PROBLEMA: O sol foi criado
somente no quarto dia, contudo já havia luz no primeiro dia (1:3).
SOLUÇÃO: O sol não é a
única fonte de luz no universo. Além disso, é possível que ele já existisse
desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito visível (com a
dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia nublado, mesmo quando
não nos é possível ver o sol.
GÊNESIS 1:26 – Por
que a Bíblia usa o plural da primeira pessoa, quando Deus se refere a si mesmo?
PROBLEMA: Os eruditos
cristãos e judeus afirmam que Deus é um só. Com efeito, a histórica confissão
de fé de Israel é tirada de Deuteronômio 6:4, que diz: “Ouve, Israel, o
Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Entretanto, se Deus é um só, por que
este versículo em Gênesis traz o plural da primeira pessoa?
SOLUÇÃO: Têm sido dadas
muitas explicações no decorrer da história. Alguns comentaristas dizem
que esse foi meramente um caso em que Deus estava se referindo aos
anjos, Mas isto é improvável, já que no versículo 26 ele diz:
“Façamos o homem à nossa imagem” e que o versículo 27
esclarece: “criou Deus… o homem à sua imagem, à imagem de Deus
o criou”, não à imagem dos anjos.
            Outros têm declarado que o plural
refere-se à Trindade. No NT (por exemplo, Jo 1:1) está claro que o Filho estava
envolvido na criação dos céus e da terra. Gênesis 1:2 indica ainda que o
Espírito Santo também estava envolvido no processo da criação. Entretanto,
estudantes da gramática hebraica destacam que o plural é requerido simplesmente
porque a palavra empregada no original para “Deus” é elohim, que
é uma palavra no plural (“Também disse Deus [elohim, no plural]:
‘Façamos [no plural] o homem à nossa [no plural] imagem’ “).
Conseqüentemente, argumentam eles, esta afirmativa não pode ser usada para
provar a doutrina da Trindade.
            Ainda outros têm afirmado que o
plural é empregado como uma figura de linguagem, chamada plural
majestático. Com este emprego, Deus estaria falando a seu respeito de maneira a
indicar que todo o seu poder e sabedoria majestáticos estariam envolvidos na
criação do homem.
            Como foi observado, o uso do plural
é feito em concordância com a palavra hebraica elohim (no plural), a qual
é traduzida por “Deus”. O fato de o substantivo “Deus” ser
plural no hebraico não quer dizer que haja mais de um Deus, ou que seja uma
referência a Deus como sendo um grupo de astronautas extraterrestres. Há um
grande número de passagens no NT que se referem a Deus com o substantivo grego
correspondente theos, que é uma palavra singular e também é traduzido
como “Deus” (Mc 13:19; Jo 1:1; Ef 3:9; etc).
            O plural da palavra hebraica
propicia um sentido mais abrangente, mais majestático ao nome de Deus. Convém
observar, entretanto, que o NT ensina com clareza que Deus é uma Trindade (Mt
3:16-17; 2 Co 13:13; 1 Pe 1:2) e, embora a doutrina da Trindade não seja
completamente desenvolvida no AT, ela é vislumbrada em muitas passagens (cf. SI
110:1; Is 63:7,9-10; Pv 30:4).
GÊNESIS 1:27 –
Adão e Eva foram pessoas reais, ou apenas um mito?
PROBLEMA: Muitos eruditos
modernos consideram os primeiros capítulos de Gênesis como um mito, e não os
tomam como históricos. Mas a Bíblia parece apresentar Adão e Eva como pessoas
reais, que tiveram filhos, dos quais todo o restante da humanidade proveio (cf.
Gn 5:lss).
SOLUÇÃO: Há uma boa
evidência para crermos que Adão e Eva tenham sido pessoas reais. Primeiro,
Gênesis 1-2 apresenta-os como pessoas reais, e até mesmo narra os importantes
acontecimentos de suas vidas (o que é histórico). Segundo, eles tiveram filhos
que foram pessoas reais, que também tiveram filhos reais (Gn 4:1,25; 5:1ss),
            Terceiro, a mesma
frase (“são estas as gerações de”) usada para registrar dados históricos
posteriores em Gênesis (6:9; 9:12; 10:1, 32; 11:10, 27; 17:7, 9) é empregada
com respeito a Adão e Eva (Gn 5:1).
            Quarto, cronologias posteriores do
AT colocam Adão no topo da lista (1 Cr 1:1).
            Quinto, o NT põe Adão no início da
lista dos antecedentes de Jesus (Lc 3:38). Sexto, Jesus referiu-se a Adão e Eva
como os primeiros “macho e fêmea”, fazendo da união física deles a
base do casamento (Mt 19:4). Sétimo, Romanos declara que a morte literalmente
reinou no mundo trazida por um “Adão” literal (Rm 5:14). Oitavo, a
comparação entre Adão (o “primeiro Adão”) e Cristo (o “último
Adão”) em 1 Coríntios 15:45 manifesta que Adão é tomado literalmente como
uma pessoa histórica. Nono, a declaração de Paulo de que “primeiro foi
formado Adão, depois Eva” (1 Tm 2:13) revela que ele fala de uma pessoa
real.
            Décimo, é lógico que teve de
haver um primeiro casal real de seres humanos, macho e fêmea, pois, caso
contrário, a raça humana não teria como começar a existir. A Bíblia chama a
esse casal, que de fato existiu, de “Adão e Eva”, e não há por que
duvidar de sua real existência.
GÊNESIS 2:1 – Como
o mundo pôde ser criado em seis dias?
PROBLEMA: A Bíblia diz que
Deus criou o mundo em seis dias (Êx 20:11). Mas a ciência moderna declara que
isso levou bilhões de anos. As duas posições não podem ser verdadeiras.
SOLUÇÃO: Há basicamente
duas maneiras para superar esta dificuldade.
Primeiro, alguns
eruditos argumentam que a ciência moderna não está certa. Insistem em dizer que
o universo tem apenas alguns milhares de anos e que Deus criou todas as coisas
em seis dias literais (6 dias de 24 horas, ou seja, 144 horas). Para sustentar
esta posição, eles apresentam os seguintes pontos:
1.   Cada dia do Gênesis tem “tarde e
manhã” (cf. Gn 1:5,8,19,23,31), o que é próprio do dia de 24 horas na
Bíblia.
2.   Os dias foram numerados (primeiro dia,
segundo dia, terceiro dia etc), uma característica peculiar dos dias de 24
horas na Bíblia.
3.   Êxodo 20:11 compara os seis dias da criação
com os seis dias de uma semana (literal) de trabalho de 144 horas.
4.   
evidência científica que suporta uma idade jovem (de milhares de anos) para a
Terra.
5.   Não haveria como a vida sobreviver milhões de anos do
dia três (1; 11) ao dia quatro (1:14) sem lua.
            Outros eruditos da Bíblia afirmam
que o universo pode ter bilhões de anos, sem que com isso se esteja
sacrificando um entendimento literal de Gênesis 1 e 2. Argumentam que:
1.   Os dias de Gênesis 1 podem ter tido um
período de tempo antes da contagem dos dias (antes de Gênesis 1:3), ou um
intervalo de tempo entre os dias. Há intervalos em outras partes da Bíblia
(como em Mateus 1:8, onde três gerações são omitidas, em comparação com 1
Crônicas 3:11-14).
2.   A mesma palavra hebraica para
“dia” (yom) é empregada em Gênesis 1 e 2 como um período de
tempo maior que 24 horas. Por exemplo, Gênesis 2:4 faz uso desta palavra no
sentido do período total da criação de seis dias.
3.   Às vezes a Bíblia emprega a palavra
“dia” para longos períodos de tempo: “Um dia é como mil
anos” (2 Pe 3:8; cf. SI 90:4).
4.   Há alguns indícios em Gênesis 1 e 2 de que
os dias poderiam ser períodos maiores que 24 horas:
            a)
No terceiro “dia” as árvores cresceram da semente à
maturidade, e produziram semente        segundo
a sua espécie (1:11-12). Esse processo normalmente leva meses ou anos.
            b)
No sexto “dia” Adão foi criado, foi dormir, deu nome a todos
os (milhares de) animais,        procurou
por companhia, foi dormir, e Eva foi criada de sua costela. Tudo isso parece
exigir     um tempo bem maior que 24
horas.
            c)
A Bíblia diz que Deus “descansou” no sétimo dia (2:2), e que
ele ainda está no seu    descanso da
criação (Hb 4:4). Assim, o sétimo dia já tem tido uma duração de milhares de       anos. Dessa forma, os outros dias bem que
poderiam ter tido milhares de anos também.
5.   Êxodo 20:11 pode estar fazendo simplesmente
uma comparação de unidade por unidade dos dias de Gênesis com uma semana de
trabalho (de 144 horas), e não uma comparação minuto a minuto.
Conclusão: Não se demonstra
contradição alguma em fatos, entre Gênesis 1 e a ciência. Há apenas um conflito
de interpretações. Ou os cientistas de hoje em sua maioria estão errados ao
insistirem que o mundo tem bilhões de anos, ou então alguns dos intérpretes da
Bíblia estão equivocados ao insistirem em dizer que foram apenas 144
horas que durou a criação, ocorrida alguns milhares de anos antes de
Cristo, sem intervalos de tempo correspondentes a milhões de anos. Mas, em
qualquer dos casos, não se trata de uma questão de inspiração das
Escrituras, mas de sua interpretação (em relação a dados científicos).
GÊNESIS 2:4 – Por
que neste capítulo usa-se a expressão “Senhor Deus” em lugar de
“Deus”, como no capítulo 1?
PROBLEMA: Muitos críticos
insistem em dizer que Gênesis 2 certamente não foi escrito pela mesma pessoa
que escreveu Gênesis 1, já que Gênesis 2 usa um nome diferente para Deus.
Entretanto, os eruditos conservadores sempre asseveraram que foi Moisés quem
escreveu Gênesis, e isso tanto por parte de estudiosos judeus como cristãos,
por todos esses séculos. De fato, os cinco primeiros livros do AT são chamados
de “Livro de Moisés” (2 Cr 25:4) ou “Lei de Moisés” (Lc
24:44), tanto por escritores do AT como do NT.
SOLUÇÃO: Foi Moisés quem de
fato escreveu os cinco primeiros livros do AT (veja os comentários de Êxodo
24:4). O emprego de uma forma diferente para referir-se a Deus no segundo
capítulo de Gênesis não prova que tenha sido um autor diferente quem o
escreveu; isto simplesmente mostra que o mesmo autor tinha um propósito
diferente (veja os comentários de Gênesis 2:19). No capítulo 1, Deus é o Criador,
ao passo que no capítulo 2 ele é o Comunicador. Primeiro, o homem é
visto em sua relação com o Criador (daí o uso de “Deus” ou elohim,
o todo-poderoso). Em seguida, Deus é visto como aquele que faz alianças,
e daí o emprego de “Senhor Deus”, o Único que faz alianças com o
homem. Deus é mencionado com diferentes nomes de forma a designar diferentes
aspectos do seu relacionamento com o homem (veja Gn 15:1; Êx 6:3).
GÊNESIS 2:8 – O
jardim do Éden foi um lugar real ou apenas um mito?
PROBLEMA: A Bíblia declara
que “plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na banda do Oriente”
(Gn 2:8), mas não há evidência arqueológica de que tal lugar tenha existido.
Será apenas um mito?
SOLUÇÃO: Em primeiro lugar,
não seria de se esperar evidência arqueológica alguma, uma vez que não há
indicação de que Adão e Eva tenham feito objetos de cerâmica ou construído
edificações duradouras. Em segundo lugar, há uma evidência geográfica do Éden,
já que dois dos rios mencionados ainda existem hoje – o Tigre (Hiddekel) e
o Eufrates (Gn 2:14). Além disso, a Bíblia até mesmo os localiza na
“Assíria” (v. 14), atual Iraque. Finalmente qualquer evidência que
tenha havida do Jardim do Éden (Gn 2-3) foi provavelmente destruída por Deus
por ocasião do dilúvio (Gn 6-9).
GÊNESIS 2:17 – Por
que Adão não morreu no dia em que comeu do fruto proibido, como Deus dissera
que aconteceria?
PROBLEMA: Deus disse a Adão,
com respeito à árvore proibida: “no dia em que dela comeres, certamente
morrerás” (Gn 2:17). Mas depois que pecou, Adão viveu até a idade de 930
anos (Gn 5:5).
SOLUÇÃO: A palavra
“dia” (yom) nem sempre significa um dia de 24 horas.
“Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem” (SI 90:4;
cf. 2 Pe 3:8). Assim realmente, Adão morreu dentro de um “dia”, neste
sentido. Ainda, Adão começou a morrer fisicamente no exato momento em que pecou
(Rm 5:12), e ele morreu também espiritualmente naquele preciso instante em que
pecou (Ef 2:1). Portanto Adão morreu de diversas formas, cumprindo assim o
pronunciamento de Deus (em Gn 2:17).
GÊNESIS 2:19 –
Como podemos explicar a diferença que há na seqüência dos atos da criação, em
Gênesis 1 e 2?
PROBLEMA: Gênesis 1 declara
que os animais foram criados antes do homem, mas Gênesis 2:19 parece reverter a
ordem, ao dizer: “Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os
animais do campo…, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes
chamaria”. Isso pode dar a entender que Adão tinha sido criado antes dos
animais.
SOLUÇÃO: Gênesis 1 dá a seqüência
dos eventos; Gênesis 2 fornece mais informações a respeito deles. O
capítulo 2 não contradiz o capítulo 1, porque não afirma exatamente quando foi
que Deus criou os animais. Simplesmente diz que ele trouxe os animais (que
anteriormente criara) a Adão para que este lhes desse nome. O ponto principal
no capítulo 2 é a ação de dar nome aos animais, não a de criá-los. Gênesis
1 delineia, de forma geral, os eventos, e o capítulo 2 nos fornece detalhes.
Tomados juntos, os dois capítulos formam um quadro harmonioso e mais completo
dos atos da criação. As diferenças, então, podem ser resumidas da seguinte
maneira:
GÊNESIS 1
GÊNESIS 2
Ordem
cronológica
Criação dos
animais
Visão Geral
Detalhes
Ordem de tópicos
Nomeação dos
animais
GÊNESIS 3:5 – O
homem foi feito como Deus ou tornou-se como Deus?
PROBLEMA: Gênesis 1:27 diz
que “criou Deus… o homem à sua imagem”. Mas em Gênesis 3:22, Deus
diz: “O homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do
mal”. O primeiro versículo dá a entender que o ser humano foi criado como
Deus é, e o segundo parece afirmar que ele tornou-se igual a Deus.
SOLUÇÃO: Estas duas
passagens estão abordando duas coisas diferentes. Gênesis 1 está falando de uma
virtude humana por criação, ao passo que Gênesis 3 está se referindo ao
que o homem obteve por aquisição. A primeira passagem refere-se a Adão e
Eva antes da queda, e a segunda refere-se a eles depois da queda. A
primeira tem que ver com a natureza deles e a segunda, com o seu estado.
Pela criação Adão não era conhecedor do bem e do mal. Uma vez tendo pecado,
porém, ele conheceu o bem e o mal. Quando essas diferenças são compreendidas,
não há conflito algum.
GÊNESIS 3:8 – Como
Adão e Eva poderiam sair da presença de Deus, sendo Deus onipresente?
PROBLEMA: A Bíblia diz que
Deus está em todo lugar ao mesmo tempo, isto é, que ele é onipresente (Sl
139:7-10; Jr 23:23). Mas, já que Deus está em toda parte, então como Adão e Eva
puderam esconder-se “da presença do Senhor Deus”?
SOLUÇÃO: Este versículo não
está abordando a onipresença de Deus, mas está falando de uma visível
manifestação dele (cf. v. 24). Deus está em toda parte em sua onipresença, mas
ele se manifesta de tempos em tempos, em certos lugares e por certos meios,
tais como uma sarça ardente (Êx 3), uma coluna de fogo (Êx 13:21), fumaça no
templo (Is 6) e assim por diante. É nesse sentido restrito que alguém
pode sair “da presença do Senhor Deus”.
GÊNESIS 4:5 – Deus
faz acepção de certas pessoas?
PROBLEMA: Nas Escrituras,
Deus é apresentado como alguém para quem “não há acepção de pessoas”
(Rm 2:11), e como quem “não faz acepção de pessoas” (Dt 10:17).
Contudo, a Bíblia nos diz que “de Caim e de sua oferta [Deus] não se
agradou” (Gn 4:5), o que parece uma contradição.
SOLUÇÃO: Antes de mais
nada, Deus não faz acepção alguma de quem quer que seja, respeitando cada um
pelo que é, por ser uma criatura feita à sua imagem e semelhança (Gn 1:27). Não
fosse assim, ele estaria desrespeitando a si próprio. Quando a Bíblia diz que
Deus não faz acepção de pessoas, ela quer dizer que ele não demonstra
parcialidade alguma na aplicação da sua justiça. Como diz Deuteronômio 10,
Deus “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno” (v. 1.7). Em
outras palavras, Deus é completamente justo e imparcial em seus procedimentos.
            Entretanto, há um sentido em que Deus
discrimina algumas pessoas, por causa de seus atos perversos. Ele não se
agradou de Caim e de sua oferta (Gn 4:5) porque ela não foi oferecida
com fé (Hb 11:4). A Bíblia fala ainda que Deus aborreceu Esaú (Ml 1:3) e odiou
a obra dos nicolaítas (Ap 2:6), não por causa da pessoa ou das pessoas, mas por
causa dos atos delas. Como João disse aos crentes de Éfeso, eles deveriam odiar
“as obras dos nicolaítas”(Ap 2:6). Deus ama o pecador, mas odeia o
pecado.
GÊNESIS 4:12-13 –
Por que Caim não sofreu a pena capital (de morte) pelo assassinato que cometeu?
PROBLEMA: No AT, os
assassinos recebiam a pena capital pelo seu crime (Gn 9:6; Êx 21:12). Contudo,
Caim não somente saiu livre, depois de matar seu irmão, como também foi
protegido de qualquer vingança (Gn4:15).
SOLUÇÃO: Há várias razões
pelas quais Caim não foi executado pelo seu crime capital. Primeiro, Deus não
havia ainda estabelecido a pena de morte como instrumento do governo humano
(cf. Rm 13:1-4). Somente depois de a violência ter enchido toda a terra, nos
dias anteriores ao dilúvio, foi que Deus determinou: “Se alguém derramar o
sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo
a sua imagem” (Gn 9:6).
            Segundo, quem seria o executor de
Caim? Ele acabara de matar Abel. A essa altura, apenas Adão e Eva tinham
restado. Certamente Deus não iria apelar aos pais para que matassem o filho
remanescente. Em face disso, Deus, que é soberano sobre a vida e a morte, como
somente ele é (Dt 32:39), pessoalmente comutou a pena de morte de Caim.
Entretanto, ao agir assim, Deus demonstrou a gravidade do pecado de Caim e
deu-nos a entender que ele era digno de morte, ao declarar: “A voz do
sangue de teu irmão clama [por vingança] da terra a mim” (v. 10). Não
obstante, até mesmo Caim parece ter reconhecido que ele era merecedor da morte,
e pediu proteção a Deus (v. 14).
            Finalmente, a promessa de Deus para
proteger Caim da vingança incluía a pena capital para quem quer que tomasse a
vida dele (cf. v. 15). Dessa forma, o caso de Caim é uma exceção que prova a
regra, e que de forma alguma vai de encontro à pena de morte, tal como
estabelecida por Deus (veja os comentários de João 8:3-11).
GÊNESIS 4:17 Como foi que
Caim conseguiu uma esposa?
PROBLEMA: Não havia mulheres
com quem Caim se casasse. Havia apenas Adão, Eva (4:1) e seu irmão morto, Abel
(4:8). Contudo, a Bíblia diz que Caim casou-se e teve filhos.
SOLUÇÃO: Caim casou-se com
uma irmã (ou talvez com uma sobrinha). A Bíblia diz que Adão “teve filhos
e filhas” (Gn 5:4). Com efeito, como Adão viveu 930 anos (Gn 5:5), ele
teve muito tempo para ter muitos filhos e filhas! Caim pode ter se casado com
uma de suas muitas irmãs ou, quem sabe, com uma sobrinha, se quando se casou
seus irmãos e irmãs já tivessem filhas crescidas. Neste caso, obviamente, um de
seus irmãos teria se casado com uma irmã.
GÊNESIS 4:17- Como
Caim pôde casar-se com uma mulher de seu parentesco, sem cometer incesto?
PROBLEMA: Se Caim casou-se
com uma irmã, isso é incesto, o que a Bíblia condena (Lv 18:6). Além disso, casamentos
incestuosos com freqüência geram filhos geneticamente defeituosos.
SOLUÇÃO: Em primeiro lugar,
não havia imperfeições genéticas no começo da raça humana. Deus criou um homem
(Adão) geneticamente perfeito (Gn 1:27). Os defeitos genéticos resultaram da
queda e somente ocorreram com o passar de longos períodos de tempo.
            Em segundo lugar, nos dias de Caim
não havia mandamento de Deus para que não se casassem com um parente próximo.
Este mandamento (Lv 18) veio milhares de anos depois, nos dias de Moisés (cerca
de 1500 a.C).
            Finalmente, já que a raça humana
começou com um casal único (Adão e Eva), Caim não teria com quem se casar, a
não ser com alguém de parentesco bem próximo, do sexo feminino (uma irmã ou
sobrinha).
GÊNESIS 4:19 – A
Bíblia aprova a poligamia?
(Veja os
comentários de 1 Reis 11:1.)
GÊNESIS 4:26 – O
culto a Deus começou aqui, ou foi antes?
PROBLEMA: De acordo com este
versículo – “daí se começou a invocar o nome do Senhor” -, se
depreende que, até os dias de Enos, filho do terceiro filho de Adão e Eva, Deus
não era cultuado. Contudo, bem antes desse tampo o primeiro filho de Adão,
Abel, trouxe um sacrifício ao Senhor, que foi aceito (Gn:4:3-4).
SOLUÇÃO: O significado de
“invocar o nome do Senhor” (em Gn 4:26) não está muito claro. E o que
não está muito claro não pode ser tomado para contradizer o que está claro, a
saber, que Abel cultuou a Deus antes de Enos. É possível que “invocar o
nome do Senhor” seja uma referência a um culto ao Senhor feito de forma
regular, com maior solenidade, e, ou, um culto público, ou ainda uma referência
à oração (cf. Rm 10:13), que não era praticada anteriormente.
            De qualquer forma, não há contradição
alguma aqui, pois, antes desse tempo, não é dito que Abel ou algum outro
“invocou o nome do Senhor” – qualquer que seja o significado dessa
frase.
GÊNESIS 5:1ss –
Como podemos conciliar esta cronologia (que vai até cerca de 4.000 anos a.C.)
com a antropologia, que tem demonstrado que a humanidade é muito mais velha?
PROBLEMA: Se as idades
mencionadas em Gênesis 5 e 10 foram somadas ao restante das datas do AT, o
resultado será cerca de um pouco mais de 4.000 anos a.C. Mas os arqueólogos e
antropólogos datam o homem de milhares de anos antes (pelo menos 10.000 anos).
SOLUÇÃO: Há uma boa
evidência que sustenta a crença de que a humanidade tenha mais de 6.000 anos.
Mas há também boas razões para se crer que há algumas lacunas nas genealogias
de Gênesis. Primeiro, sabemos que há uma lacuna na genealogia do livro de
Mateus, quando diz “Jorão, [gerou] a Uzias” (Mt 1:8). Mas, em
comparação com 1 Crônicas 3:11-14, vemos que Mateus deixa fora três gerações
(Acazias, Joás e Amazias), como segue:
Mateus
1 Crônicas
Jorão
Jorão
Acazias
Joás
Amazias
Uzias
Uzias (também
chamado Azarias)
            Segundo, falta pelo menos uma
geração na genealogia de Gênesis. Lucas 3:36 menciona “Cainã” entre
Arfaxade e Sala, mas o nome Cainã não aparece nessa ordem no registro de
Gênesis (veja Gn 10:22-24). É melhor vermos Gênesis 5 e 10 como genealogias adequadas,
não como cronologias completas.
            Finalmente, pelo fato de se saber
que há lacunas nas genealogias, não podemos determinar acuradamente a idade da
raça humana simplesmente pela adição dos números de Gênesis 5 e 10.
GÊNESIS 5:5 – Como
podia alguém viver mais de 900 anos?
PROBLEMA: “Os dias
todos da vida de Adão foram novecentos e trinta anos” (Gn 5:5); Matusalém
viveu “novecentos e sessenta e nove anos” (Gn 5:27); e a média da
idade dos que tiveram uma vida normal foi superior a 900 anos. Contudo, a
própria Bíblia reconhece que a maioria das pessoas chega até os 70 ou 80 anos,
quando ocorre sua morte natural (Sl 90:10).
SOLUÇÃO: Antes de mais
nada, a referência no Salmo 90 é ao tempo de Moisés (1400 a.C.) e ao tempo
posterior, quando a longevidade tinha decrescido para 70 ou 80 anos para a
maioria, embora o próprio Moisés tenha vivido 120 anos (Dt 34:7).
            Alguns sugerem que aqueles
“anos” seriam realmente apenas meses, o que reduziria 900 anos ao
período normal de vida de 80 anos. Entretanto, isso não é plausível por duas
razões. A primeira é que não há precedente algum no AT que tome a palavra
“ano” com o sentido de “mês”. A segunda é que, como
Maalaleel gerou um filho com a idade de 65 anos (Gn 5:15) e Cainã, aos 70 anos
(Gn 5:12), isso significaria que eles estariam com menos de seis anos de idade
ao terem filhos, o que é biologicamente impossível.
            Outros sugerem que esses nomes
representam linhas de famílias ou clãs que se mantiveram por gerações antes de
terminarem. Entretanto, isso não faz sentido, por vários motivos. Primeiro,
alguns desses nomes (como por exemplo Adão, Sete, Enoque, Noé) são de
indivíduos cujas vidas foram narradas no texto (Gênesis 1-9). Segundo, linhas
familiares não “geram” linhas familiares com nomes diferentes.
Terceiro, linhas familiares não “morrem”, como aconteceu com cada um
daqueles indivíduos (cf. 5:5,8,11 etc). Quarto, a referência a ter
“filhos e filhas”(5:4) não é compatível com essa teoria de clãs.
            Conseqüentemente, tudo indica que o
melhor é considerarmos serem anos mesmo (embora fossem anos lunares de
12×30=360 dias), e isso por diversas razões: (1) Antes de mais nada,
posteriormente a vida foi reduzida a 120 anos como uma punição dada por Deus
(Gn 6:3). (2) Depois do dilúvio, a duração da vida foi diminuindo
gradativamente dos 900 anos (Gn 5) para os 600 (Sem: Gn 11:10-11), para os 400
(Sala: Gn 11:14-15), para os 200 (Reú: Gn 11:20-21). (3) Biologicamente, não há
razão por que o homem não possa ter vivido centenas de anos. Os cientistas
lutam muito mais para resolver o problema do envelhecimento e da morte do que o
da longevidade. (4) A Bíblia não é a única a falar de centenas de anos
como idade dos antigos. Há também registros do grego antigo e das eras egípcias
que fazem menção a isso.
GÊNESIS 6:2 – Os
“filhos de Deus” eram anjos que se casaram com mulheres?
PROBLEMA: A expressão
“filhos de Deus” no AT é empregada exclusivamente referindo-se
a anjos (Jó 1:6; 2:1; 38:7). Entretanto, o NT nos informa que os anjos
“nem casam, nem se dão em casamento” (Mt 22:30). Além disso, se os
anjos se casassem com seres humanos, os filhos deles seriam meio humanos, meio
anjos. Mas os anjos não podem ser redimidos(Hb 2:14-16; 2 Pe 2:4; Jd 6).
SOLUÇÃO: Várias são as
interpretações possíveis, no lugar de insistir em que anjos tenham coabitado
com seres humanos.
            Alguns eruditos bíblicos crêem que a
expressão “filhos de Deus” seja uma referência à linhagem piedosa de
Sete (através da qual viria o redentor – Gn 4:26), que se entremeou com a linha
ímpia de Caim. Eles alegam que: (a) isso se coaduna com o contexto imediato;
(b) evita todo o problema decorrente da interpretação de que eram anjos; (c)
está de acordo com o fato de que os seres humanos também são mencionados no AT
como “filhos” de Deus (Is 43:6).
            Outros estudiosos acreditam que
“filhos de Deus” seja uma referência a grandes homens, a “varões
de renome na antigüidade”. Apontam para o fato de que o texto refere-se a
“gigantes” e “valentes” (v. 4). Ainda, isso evita o
problema de os anjos (espíritos) coabitarem com seres humanos.
            Outros ainda combinam estas
interpretações e especulam que os “filhos de Deus” eram anjos que
“não guardaram o seu estado original” (Jd 6) e que na realidade
possuíram seres humanos, levando-os a um cruzamento com “as filhas dos
homens”, produzindo assim uma raça superior, cuja semente foram os
“gigantes” e os “varões de renome”. Esta posição parece
explicar todos os pontos, exceto o problema insuperável de os anjos, não tendo
corpos (Hb 1:14) e sendo assexuados, coabitarem com seres humanos.
GÊNESIS 6:3 – Há
aqui uma contradição com o que Moisés disse no Salmo 90, a respeito da duração
da vida humana?
PROBLEMA: O texto de Gênesis
6:3 parece indicar que a longevidade humana após o dilúvio seria de, no máximo,
“cento e vinte anos”. Contudo, no Salmo 90, Moisés a considerou ser
de 70 ou 80 anos, no máximo (v. 10).
SOLUÇÃO: Em primeiro lugar,
não é de todo certo que Gênesis 6:3 esteja se referindo à longevidade humana.
Pode ser que esteja falando de quantos anos ainda faltavam até que o dilúvio
ocorresse.
            Segundo, mesmo que de fato seja uma
antevisão da duração da vida dos homens, isso não contradiz a posterior
referência a 70 ou 80 anos, por duas razões: primeiro, o texto se refere a um
período anterior, quando as pessoas ainda viviam mais tempo (o próprio Moisés
viveu 120 anos, conforme Deuteronômio 34:7); segundo, os 70 ou 80 anos
provavelmente não seriam um limite superior absoluto, mas simplesmente uma
referência à média das idades das pessoas que morrem na velhice.
GÊNESIS 6:6 – Por
que Deus estava insatisfeito com o que ele tinha feito?
PROBLEMA: Em Gênesis 1:31,
Deus estava plenamente satisfeito com o que acabara de fazer, declarando que
tudo “era muito bom”. Mas, em Gênesis 6:6, ele declara que “se
arrependeu… de ter feito o homem na terra”. Como estas duas afirmativas
podem ser verdadeiras?
SOLUÇÃO: Estes versículos
se referem à humanidade em tempos diferentes e sob diferentes condições. O
primeiro enfoca os seres humanos em seu estado original de criação. O
segundo refere-se à humanidade depois da queda e logo antes do dilúvio. Deus se
agradou com o que criou, mas não teve prazer algum com o que o pecado fez em
sua perfeita criação.
GÊNESIS 6:14ss –
Como é que na relativamente pequena arca de Noé couberam centenas de milhares
de espécies?
PROBLEMA: A Bíblia diz que a
arca de Noé tinha apenas 137 metros de comprimento, por 23 de largura e 14 de
altura (Gn 6:15). Noé recebeu a instrução de colocar nela um casal de cada
espécie de animal imundo e sete casais de animais puros (6:19; 7:2). Mas os
cientistas nos informam de que há de meio bilhão a um bilhão ou mais de
espécies de animais.
SOLUÇÃO: Primeiro, o
conceito moderno de “espécie” não é o mesmo da Bíblia. No sentido
bíblico, provavelmente sejam apenas algumas centenas de “espécies”
diferentes de animais terrestres que teriam de ser levados para a arca. Os
animais marinhos permaneceram no mar, e muitas outras espécies poderiam
sobreviver na forma de ovos.
            Segundo, a arca não era assim tão
pequena; ela tinha uma enorme estrutura – a dimensão de um moderno transatlântico.
Além disso, ela tinha três andares (6:16), o que triplicava seu espaço a um
total de 425.000 metros cúbicos!
            Terceiro, Noé pode ter levado
filhotes ou variedades menores de alguns dos animais de maior porte. Levando em
conta todos esses fatores, havia espaço suficiente para todos os animais, para
o alimento para a viagem e para os oito seres humanos a bordo.
GÊNESIS 6:14ss –
Como é que uma arca feita de madeira poderia resistir a um dilúvio tão
violento?
PROBLEMA: A arca tinha sido
construída apenas de madeira, e levava uma pesada carga. Um dilúvio de âmbito
mundial produz violentas correntezas, que teriam quebrado a arca totalmente
(cf. Gn 7:4,11).
SOLUÇÃO: Primeiro, a arca
foi feita de um material resistente e flexível (cipreste, cf. Gn 6:14), uma madeira
que “cede” sem se rachar. Segundo, a carga penada foi um ponto
positivo, por lhe dar certa estabilidade. Terceiro, os arquitetos navais
informam-nos de que a forma construtiva da arca, semelhante a uma caixa
comprida, é uma forma que dá estabilidade e resistência a águas turbulentas. Na
verdade, os transatlânticos modernos seguem basicamente as mesmas dimensões da
arca de Noé ou têm medidas proporcionais às dela.
GÊNESIS 7:24 – O
dilúvio teve a duração de quarenta ou de cento e cinqüenta dias?
PROBLEMA: Segundo Gênesis
7:24 (e 8:3), as águas do dilúvio permaneceram durante 150 dias. Mas outros
versículos nos dizem que foram apenas quarenta dias de dilúvio (Gn 7:4,12,17).
Qual é o correto?
SOLUÇÃO: Estes números
referem-se a coisas diferentes. Quarenta dias foi o tempo em que “houve
copiosa chuva” (7:12), e 150 dias foi o tempo em que as águas do dilúvio “predominaram”
(cf. 7:24).
            Ao fim dos 150 dias, “as águas
iam-se escoando” (8:3). Não foi senão após o quinto mês depois do início
da chuva que a arca repousou no monte Ararate (8:4). Então, onze meses depois
do início das chuvas, as águas secaram-se (7:11; 8:13). E exatamente um ano e
dez dias depois do início do dilúvio, Noé e sua família saíram da arca e
pisaram em solo seco (7:11; 8:14).
GÊNESIS 8:1 -Deus
esqueceu-se temporariamente de Noé?
PROBLEMA: O fato de o texto
dizer que “Lembrou-se Deus de Noé” parece implicar que o Senhor se
esqueceu de Noé temporariamente. Contudo, a Bíblia declara que Deus sabe todas
as coisas (SI 139:2-4; Jr 17:10; Hb 4:13) e que nunca se esquece de seus santos
(Is 49:15). Como então pôde ele temporariamente esquecer-se de Noé?
SOLUÇÃO: Em sua
onisciência, Deus sempre esteve consciente de que Noé estava na arca.
Entretanto, depois de Noé ter permanecido nela por mais de um ano, como se tivesse
sido esquecido, Deus deu um sinal de sua lembrança e fez com que Noé e sua
família saíssem da arca. Mas, Deus nunca se esqueceu de Noé, já que o Senhor
mesmo foi quem o notificou, no início, para salvar a si e à espécie humana (cf.
Gn 6:8-13). Com freqüência, nós mesmos usamos uma expressão semelhante, quando
dizemos que nos “lembramos” de alguém no seu dia de aniversário,
mesmo que nunca tenhamos nos esquecido da existência de tal pessoa.
GÊNESIS 8:21 –
Deus mudou de idéia quanto a nunca mais destruir o
mundo de novo?
PROBLEMA:
De acordo com este versículo, depois do dilúvio, Deus
prometeu:”…
nem tomarei a ferir todo vivente, como fiz”. Entretanto, Pedro prediz que
haverá um dia em que “os céus passarão com estrepitoso estrondo e os
elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem
serão atingidas” (2 Pe 3:10).
SOLUÇÃO: Depois do dilúvio,
Deus somente prometeu nunca mais destruir o mundo da mesma maneira como
Ele tinha feito (Gn 9:11), ou seja, com água. O arco-íris é um símbolo perpétuo
dessa promessa. A segunda destruição do mundo será com fogo, e não com água. O
que vai acontecer é que “os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe
3:10). Mesmo assim, naquele dia Deus não vai destruir todos os seres viventes.
Os homens serão salvos em seus corpos físicos ressurretos e imperecíveis (1 Co
15:42).
GÊNESIS 8:22 – Já
que Deus prometeu sempre haver sementeira e ceifa, então por que houve tempos
de fome?
PROBLEMA: Deus prometeu a
Noé: “Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e
ceifa”. Entretanto, há muitos tempos de fome, inclusive registrados na
Bíblia, em que não houve ceifa (cf. Gn 26:1; 41:54).
SOLUÇÃO: O verbo
“cessar” (do hebraico shabath) significa chegar a um fim, ser
eliminado, acabar com uma coisa completamente. Esta passagem promete apenas que
as estações não cessarão, não as colheitas. A referência é ao tempo da
semeadura e ao tempo da colheita, não necessariamente a estes eventos. E as
estações jamais foram interrompidas; elas têm o seu curso normal, desde que
essa promessa foi feita a Noé. Ainda, a promessa de Deus não constitui uma
garantia de que não haveria jamais interrupções temporárias. É apenas uma
afirmativa de que haveria permanentemente os ciclos das estações do ano,
até o final dos tempos.
GÊNESIS 9:3 – Deus
ordenou que se comesse carne ou apenas vegetais?
PROBLEMA: Quando Deus criou
Adão, o Senhor ordenou-lhe que comesse somente “todas as ervas que dão
semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há
fruto que dê semente” (Gn 1:29). A carne, porém, não foi dada por Deus
para se comer. Entretanto, quando Noé saiu da arca, Deus lhe disse: “Tudo
o que se move, e vive, ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo
vos dou agora” (Gn 9:3). Isso está em contradição com o mandamento
anterior dado por Deus para não se comer carne.
SOLUÇÃO: Este é um
bom exemplo da revelação progressiva de Deus, em que mandamentos anteriores são
substituído! por posteriores. Em questões que não envolvem alteração em nenhum
padrão moral intrínseco (que é baseado na natureza de Deus), o Senhor tem a
liberdade de alterar os mandamentos que ele deu às suas criaturas, de forma a
servir a seus propósitos gerais, dentro do processo da redenção. Por exemplo,
podemos comparar isso com os pais que, numa fase da vida de seus filhos,
deixam-nos comer com a mão, para mais tarde ensiná-los a usar uma colher.
Posteriormente, ainda, eles instruem seus filhos a não mais usarem uma colher,
mas sim um garfo. Não há contradição alguma nesse processo. É simplesmente uma
questão de revelação progressiva, adaptada às circunstâncias e visando o
objetivo final. É assim que Deus trabalha.
GÊNESIS 10:5 (cf.
20,31) – Por que este versículo dá a entender que a humanidade tinha muitas
línguas, já que Gênesis 11:1 diz que havia uma única língua?
PROBLEMA: Os textos de
Gênesis 10:5,20,31 parecem indicar que havia muitos dialetos, o que
aparentemente está em conflito com Gênesis 11:1, que de forma bem clara diz que
“em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de
falar”.
SOLUÇÃO: Estes textos
referem-se a dois tempos diferentes. Anteriormente, enquanto estavam mantendo
suas distinções tribais, os descendentes de Cam, Sem e Jafé, todos eles falavam
a mesma língua. Posteriormente, com a torre de Babel (Gn 11), Deus puniu os
homens pelo projeto com o qual se rebelavam contra ele, confundindo-lhes a
fala. Como resultado, as tribos não mais conseguiam comunicar-se umas com as
outras, embora possivelmente às subtribos e aos clãs tenha sido permitido uma
linguagem compreensível, para que assim continuassem a se comunicar entre si.
GÊNESIS 11:5 –
Como foi que Deus “desceu” do céu, uma vez que ele já estava aqui
(como está em toda parte)?
PROBLEMA: Deus é
onipresente, isto é, ele está em todo lugar ao mesmo tempo (SI 139:7-10).
Gênesis 11:5 declara que Deus “desceu” para ver a cidade que os
homens edificavam. Mas se ele já estava aqui, como é que ele “desceu”
até aqui?
SOLUÇÃO: Deus
“desceu” é uma teofania, que significa uma manifestação especial, e
num determinado local, da presença de Deus. Estas teofanias ocorriam
freqüentemente no AT. Certa vez, Deus apareceu a Abraão como homem (Gn 18:2).
Deus também desceu para falar com Moisés (Êx 3), com Josué (Js 5:13-15) e com
Gideão (Jz 6), de maneira semelhante.
GÊNESIS 11:28 –
Como a família de Abraão poderia ser de Ur dos cal-deus, se em outra passagem é
dito que seus
ancestrais vieram de Harã?
PROBLEMA: Há um aparente
conflito com respeito à verdadeira procedência de Abraão. Gênesis 11:28 diz que
Abraão veio de Ur dos caldeus (que fica ao sul do, hoje, Iraque), mas Gênesis
29:4 afirma que ele é de Harã (ao norte do Iraque).
SOLUÇÃO: Esse conflito é
facilmente resolvido. A família de Abraão originou-se em Ur, mas depois emigrou
para Harã, quando Deus o chamou (Gn 11:31-12:1). Não é de se estranhar que
Abraão considerasse Harã, onde vivera até os seus 75 anos, como a sua
terra. Também, é muito natural que ele se refira aos filhos de seus dois irmãos
mais velhos como parte de sua família.
GÊNESIS 11:32 –
Abraão tinha 75 ou 135 anos de idade quando saiu de Harã?
PROBLEMA: Gênesis 11:26
afirma: “Viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor e a Harã”.
Em Atos 7:4, Estêvão afirma que Abraão saiu de Harã somente quando seu pai,
Terá, morreu. Gênesis 11:32 diz que Terá morreu com 205 anos. Se Abraão nasceu
quando Terá tinha 70 anos, e se ele foi para Canaã somente depois da morte de
Terá aos seus 205 anos, então Abraão deveria ter 135 anos quando deixou Harã em
viagem para Canaã. Entretanto, Gênesis 12:4 afirma: “Tinha Abrão setenta e
cinco anos quando saiu de Harã”. Que idade então tinha Abraão quando ele
saiu de Harã, 75 ou 135 anos?
SOLUÇÃO: Abraão tinha 75
anos quando partiu de Harã. Embora fosse usual listar os nomes dos filhos
do mais velho para o mais novo, esta prática nem sempre era obedecida. Gênesis
11:26 não diz que Terá tinha 70 anos quando Abraão nasceu. Antes, afirma que
Terá viveu até os seus 70 anos sem ter filho algum, e então teve três filhos:
Abraão, Naor e Harã. Possivelmente Harã tenha sido o filho mais velho de Terá,
o que parece indicado pelo fato de que ele foi o primeiro a morrer (Gn 11:28).
Naor foi provavelmente o filho do meio e Abraão, o caçula. Abraão foi
apresentado em primeiro lugar porque ele foi o filho mais importante de Terá.
Como Abraão tinha 75 anos de idade quando partiu de Harã, isso quer dizer que
Terá estava com 130 anos quando Abraão nasceu.
GÊNESIS 12:10-20;
20:1-18 – Por que Deus permitiu que Abraão prosperasse, mesmo tendo ele
mentido?
PROBLEMA: A Bíblia nos
exorta a não mentir (Êx 20:16); porém, mesmo depois de Abraão ter mentido com
respeito a Sara, ele enriqueceu.
SOLUÇÃO: Primeiro, o
enriquecimento de Abraão não deve ser visto como uma recompensa divina pela sua
mentira. Podemos facilmente entender por que Faraó lhe deu presentes. Faraó
pode ter se sentido obrigado a recompensá-lo pelo mau constrangimento que a sua
corrupta sociedade impunha aos estrangeiros que visitavam o país.
            Além disso, Faraó deve ter sentido
que deveria recompensá-lo por ter levado a mulher dele até o palácio, mesmo sem
saber da sua real condição. É que o adultério era estritamente proibido pela
religião egípcia.
            Ainda, Abraão pagou pelo seu pecado.
Os anos de transtornos que se seguiram na vida de Abraão podem ter sido uma
conseqüência direta de sua falta de fé no poder protetor de Deus.
Finalmente, embora
alguns sejam reconhecidos como homens de Deus, eles são falíveis e responsáveis
pelo seu próprio pecado (por exemplo, Davi e Bate-Seba – 2 Sm 12). Deus os abençoou
apesar dos
pecados deles, e não por causa dos seus pecados.
GÊNESIS 14 – O
relato da vitória de Abraão sobre os reis da Mesopotâmia é
históricamente
aceitável?
PROBLEMA: Gênesis apresenta
essa batalha como real e verdadeira. Mas, de acordo com a Hipótese Documentária
do criticismo bíblico, essa história foi um acréscimo posterior, sendo
totalmente fictícia.
SOLUÇÃO: Possuímos muito
pouca informação sobre este período, fora do livro de Gênesis. Por isso,
conquanto não tenhamos uma confirmação arqueológica direta, não há por que
duvidar do evento narrado na Bíblia. Uma dúvida assim geralmente provém de um
preconceito antibíblico.
            Além disso, há um suporte indireto
para a validade deste relato. Um importante arqueólogo, W. F. Albright,
observou que: “A despeito de nosso fracasso de até agora fixarmos o
horizonte histórico do capítulo 14, podemos ter certeza de que o seu conteúdo é
bem antigo. Há várias palavras e expressões não encontradas em parte alguma do
restante da Bíblia e que agora são reconhecidas como pertencentes ao segundo
milênio [a.C.]. Os nomes das cidades da Transjordânia também são considerados
muito antigos”(Alleman e Flack, Olá Testament Commentary, Filadélfia:
Fortress Press, 1954, p. 14). À luz disso, não há razão alguma para duvidar da
autenticidade do relato bíblico sobre a batalha de Abraão com os reis da
Mesopotâmia.
GÊNESIS 14:18-20 –
Quem foi Melquisedeque?
PROBLEMA: Há algum debate
sobre a natureza de Melquisedeque. Foi ele uma pessoa real, um ser fora do
normal ou apenas uma personagem de ficção?
SOLUÇÃO: Com base em
Hebreus 7, alguns têm interpretado Melquisedeque como tendo sido um anjo ou até
mesmo como uma aparição de Cristo. Isso não é provável, já que o autor de
Hebreus apresenta Melquisedeque como sendo um tipo de Cristo. Em Gênesis, Melquisedeque
é apresentado de maneira usual e histórica. Ele encontra-se com Abraão e com
ele conversa normalmente. Não há razão, seja arqueológica ou de qualquer outra
origem, para que se questione quanto à personalidade histórica de
Melquisedeque.
GÊNESIS 15:16 – O
êxodo ocorreu na quarta ou na sexta geração?
PROBLEMA: A Bíblia fala que
o êxodo aconteceria na “quarta geração” depois da descida de Jacó ao
Egito (Gn 15:16). Entretanto, de acordo com as genealogias de 1 Crônicas 2:1-9
(e Mateus 1:3-4), o êxodo ocorreu realmente na sexta geração (2:1-11), a saber,
Judá, Perez, Hezrom, Rão, Aminadabe, e Naassom.
SOLUÇÃO: A palavra
“geração” em Gênesis 15:16 é definida como tendo o sentido de 100
anos, já que “a quarta geração”(v. 16) é empregada como se referindo
a “quatrocentos anos” (v. 13). Dessa forma, Gênesis 15 está se
referindo ao período de tempo, e 1 Crônicas está falando do número de
pessoas
envolvidas naquele período.
GÊNESIS 15:17; cf.
19:23 – Por que a Bíblia emprega termos não científicos, tais como “posto
o sol”?
PROBLEMA: Os cristãos
evangélicos afirmam que a Bíblia é a inspirada e inerrante palavra de Deus.
Entretanto, já que a Bíblia é inerrante em tudo o que afirma, inclusive
com respeito a fatos históricos e científicos, por que então encontramos termos
não científicos, tais como “posto o sol” ensaia o sol”?
SOLUÇÃO: A Bíblia não está
afirmando que o sol realmente se ponha ou se levante. Não, ela simplesmente faz
uso da linguagem sob o enfoque da observação, que ainda hoje empregamos. É
usual em toda previsão meteorológica referir-se à hora do
“pôr-do-sol” ou do “sol nascente”. Dizer que a Bíblia não é
“científica”, ou que ela contém erros científicos, devido ao uso de
tais expressões, é lançar mão de um argumento muito fraco. Isso teria de ser de
igual forma atribuído a praticamente todo o mundo hoje, até mesmo a cientistas
da atualidade, que empregam esse tipo de linguagem em conversas normais (veja
os comentários de Josué 10:12-14).
GÊNESIS 19:8 – O
pecado de Sodoma era o homossexualismo ou a inospitalidade?
PROBLEMA: Há quem argumente
que o pecado de Sodoma e Gomorra tenha sido a inospitalidade, e
não o homossexualismo. A base para isso é o costume cananeu que garante
proteção a quem esteja sob o teto de alguém. É dito que Ló se referiu a esse
costume quando disse: “nada façais a estes homens, porquanto se acham sob
a proteção de meu teto” (Gn 19:8). Assim, Ló ofereceu suas filhas para
satisfazer àquela irada multidão, de forma a proteger as vidas dos visitantes
que estavam sob o seu teto.
            Alguns ainda alegam que o pedido
daqueles homens da cidade para “conhecer” (Gn 19:5) significa
simplesmente “ser apresentado”, sem nenhuma conotação sexual, porque
a palavra hebraica correspondente ao verbo “conhecer” (yada) geralmente
não tem conotação sexual (cf. SI 139:1).
SOLUÇÃO: Embora seja
verdade que a palavra hebraica para “conhecer” (yada) não
signifique necessariamente “ter relacionamento sexual”, no contexto
da passagem de Sodoma e Gomorra, ela obviamente tem este significado. Isso é
evidente por várias razões. Primeiro, em dez de cada doze vezes que esta
palavra aparece em Gênesis, ela se refere à relação sexual (cf. Gn 4:1,25).
            Segundo, o sentido da palavra
“conhecer” é o do conhecimento sexual, neste mesmo capítulo. Pois Ló
refere-se às suas duas filhas virgens dizendo “que ainda não conheceram
homens” (Gn 19:8, SBTB), sendo este um óbvio emprego da palavra com o
sentido sexual.
            Terceiro, o significado de uma
palavra descobre-se pelo contexto em que ela aparece. E o contexto nesse caso é
certamente o sexual, como indicado pela referência à perversidade daquela
cidade (18:20), bem como por serem as virgens oferecidas para aplacar-lhes a
lascívia (19:8). Quarto, “conhecer” não pode ter o sentido de
simplesmente “ser apresentado a alguém”, porque no caso houve uma
referência a “não façais mal” (19:7). Quinto, por que oferecer as
filhas virgens, se o intento deles não era sexual? Se os homens tivessem pedido
para “conhecer” as filhas virgens de Ló, ninguém duvidaria das intenções
lascivas deles.
            Sexto, Deus já tinha determinado
destruir Sodoma e Gomorra, como Gênesis 18:16-33 indica, mesmo antes do
incidente ocorrido em 19:8. Conseqüentemente, é muito mais razoável admitir que
Deus havia pronunciado juízo sobre aquelas duas cidades pelos pecados que eles
já vinham cometendo, isto é, por causa do homossexualismo, do que por um pecado
que eles ainda não tinham cometido, a inospitalidade.
GÊNESIS 19:30-38 –
A Bíblia condena o incesto?
PROBLEMA: O incesto é
enfaticamente denunciado em muitas passagens bíblicas (cf. Lv 18:6; 20:17). De
fato, o Senhor declarou: “Maldito aquele que se deitar com sua irmã, filha
de seu pai, ou filha de sua mãe” (Dt 27:22). Contudo Ló cometeu incesto
com suas duas filhas, do qual resultaram as nações de Moabe e Amom,
SOLUÇÃO: Não há dúvida
alguma de que Ló pecou de diversas maneiras, para não dizer nada quanto à
violação das leis do incesto que mais tarde Moisés deu como mandamentos a
Israel. Ló embebedou-se e pecou com suas duas filhas. A alma reta dele tinha
sido perturbada com os muitos pecados por sua longa permanência junto com o
povo de Sodoma. Mas nenhum desses pecados recebe aprovação nesta passagem. De
fato, a narrativa seca do episódio, sem nenhum comentário positivo do escritor,
indica que não se pretendeu esconder o horror desses pecados. Eis aqui um bom
exemplo do princípio de que nem tudo que a Bíblia narra ela aprova (veja a
Introdução).
GÊNESIS 20:12 – Se
o incesto é condenado, por que Abraão casou-se com sua irmã?
PROBLEMA: Abraão admitiu que
Sara, sua mulher, era realmente sua “irmã” (cf. Gn 17:15-16).
Contudo, o incesto é claramente denunciado como pecado em muitas passagens
bíblicas (cf. Lv 18:6; 20:17). De fato, o Senhor declarou: “Maldito aquele
que se deitar com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe” (Dt
27:22).
SOLUÇÃO: Abraão não estava
isento de pecado, como revela a sua mentira ao rei Abimeleque com respeito a
Sara (Gn 20:4-5). E de fato ele admitiu que Sara era filha de seu pai e não de
sua mãe; e que ela veio a ser sua mulher (cf. Gn 20:12). Entretanto, mesmo
assim, não há prova de que Abraão tivesse violado uma lei por ele conhecida,
por duas razões. Primeiro, as leis do incesto somente foram dadas por Moisés
500 anos depois de Abraão. Portanto, certamente ele não poderia ser responsabilizado
por leis que ainda não tinham sido promulgadas.
            Segundo, as palavras
“irmã” e “irmão” têm um uso bem mais amplo na Bíblia, tal
como acontece com os termos “pai” e “filho”. Jesus, por
exemplo, foi “filho” (i.e., descendente) de Davi (Mt 21:15). “Irmã”
pode significar um parente próximo, mas não necessariamente indica o grau de
proximidade que damos à palavra “irmã”. Ló, sobrinho de Abraão, é
chamado de “irmão” dele [“e tornou a trazer também a Ló, seu
irmão…” (Gn 14:16, SBTB)]. De igual modo, “filha” pode
significar “neta” ou “bisneta”.
            Considerando a idade que Abraão
alcançou em sua vida (175 anos, Gn 25:7), é possível que ele tenha se casado
com uma neta de seu pai, ou com uma sobrinha, ou com uma sobrinha-neta. De
qualquer forma, não há prova de que o casamento de Abraão com Sara tenha
violado qualquer lei então existente contrária ao incesto. Mas, mesmo que isso
tenha ocorrido, a Bíblia simplesmente nos fornece um registro verdadeiro do
erro de Abraão. Quando Deus chamou Sara de “mulher” de Abraão (Gn
17:15), ele não estava legitimando nenhum suposto incesto, mas simplesmente
afirmando um fato.
GÊNESIS 21:32,34 –
A Bíblia colocou filisteus erroneamente na Palestina no tempo de Abraão?
PROBLEMA: A mais antiga
alusão aos filisteus por fontes palestinas ou egípcias data do século XII a.C;
contudo estes versículos colocam os filisteus nessa área cerca de 800 anos
antes.
SOLUÇÃO: Esta não é a
primeira vez que os críticos chegaram a falsas conclusões pela falta de
conhecimento histórico desse período. Sodoma e Gomorra são exemplos de cidades
que a Bíblia menciona e que eram consideradas não-históricas. Quando as tábuas
de Ebla foram descobertas, a acusação de que aquelas cidades eram um mito foi
então descartada. Aquelas tábuas continham referências às duas cidades.
            Pode ser apenas uma questão de tempo
para que outras evidências semelhantes apareçam para confirmar o testemunho
bíblico com respeito aos filisteus. Até que isso aconteça, podemos descansar
seguros de que o registro bíblico é preciso neste caso, e tendo toda a
confiança nas Escrituras, por causa de sua total exatidão em tudo que menciona.
Além disso, o argumento dos críticos neste caso é o argumento tradicionalmente
falacioso, que provém da ignorância. Simplesmente porque não temos evidências
de fontes extrabíblicas quanto à existência dos filisteus em datas anteriores,
não significa que eles não tenham existido. Isso apenas quer dizer que não
dispomos de tais informações.
GÊNESIS 22:2 – Por
que Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu filho, tendo o próprio Deus
condenado o sacrifício humano em Levítico 18 e 20?
PROBLEMA: Tanto em Levítico
18:21 como em 20:2, Deus especificamente condenou o sacrifício humano, ao
ordenar a Israel: “E da tua descendência não darás nenhum para dedicar-se
a Moloque” (Lv 18:21); e “Qualquer dos filhos de Israel… que der de
seus filhos a Moloque, será morto; o povo da terra o apedrejará” (Lv
20:2). Contudo, em Gênesis 22:2, Deus ordenou a Abraão: “Toma teu filho,
teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali
em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei”. Isso parece
estar em total contradição com o seu mandamento para não oferecer sacrifícios
humanos.
SOLUÇÃO: Primeiro, Deus não
estava interessado em que Abraão viesse de fato a matar o seu filho, nem
era esse o seu plano. O fato de o anjo do Senhor ter impedido que Abraão
matasse Isaque (22:12) revela isso. O propósito de Deus foi provar a fé de
Abraão, com o pedido de que entregasse completamente aquele seu único filho a
Deus. O anjo do Senhor declarou que era a disposição de Abraão de
entregar o seu filho, e não o ato de realmente matá-lo que satisfez as
expectativas de Deus com respeito a Abraão. Deus disse explicitamente:
“Não estendas a mão sobre o rapaz… pois agora sei que temes a Deus,
porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gn 22:12).
            Segundo, as proibições tanto em
Levítico 18:21 como em 20:2 eram especificamente contra o oferecimento de um
filho ao deus pagão chamado Moloque. Portanto não é uma contradição Deus ter
proibido oferendas de vidas a Moloque e ter solicitado a Abraão que oferecesse
o seu filho a si, ao único e verdadeiro Deus. É claro, oferecer um filho em
sacrifício ao Senhor não é o mesmo que oferecê-lo a Moloque, já que o Senhor
não é Moloque. Apenas Deus é soberano sobre toda vida (Dt 32:39; Jó
1:21), e portanto somente ele tem o direito de pedir a vida de alguém. Com
efeito, é Deus que determina o dia da morte de cada um (SI 90:10; Hb 9:27).
            Terceiro, Abraão confiou no amor e
no poder de Deus de tal maneira que voluntariamente obedeceu, crendo que o
Senhor ressuscitaria Isaque dentre os mortos (Hb 11:17-19). Isto está implícito
no fato de que, embora Abraão pretendesse matar Isaque, ele disse aos seus
servos: “eu e o rapaz [nós] iremos até lá e, havendo adorado,
voltaremos para junto de vós” (Gn 22:5).
            Finalizando, não é moralmente errado
para Deus pedir que sacrifiquemos um filho a ele. Deus mesmo ofereceu o seu
Filho no Calvário (Jo 3:16). De fato, até mesmo o governo de um país muitas
vezes pede ao povo que sacrifique seus filhos pelo país. Certamente Deus tem um
direito bem maior para requerer isso.
GÊNESIS 22:2 –
Como Isaque foi chamado de “único filho” de Abraão, se este já tinha
também Ismael?
PROBLEMA: Abraão recebeu a
seguinte instrução em Gênesis 22:2: “Toma teu filho, teu único filho,
Isaque”. Entretanto, Abraão tinha tido Ismael muitos anos atrás (Gn 16) e
ele tinha ainda outros “filhos” (Gn 25:6).
SOLUÇÃO: Os outros filhos
de Abraão mencionados em Gênesis 25 provavelmente nasceram mais tarde, pois são
mencionados três capítulos depois de Isaque ter sido chamado de “único
filho”. Além disso, eram filhos de “concubinas que tinha” (Gn
25:6) e não eram contados como herdeiros da promessa de Deus. De igual forma,
Ismael fora concebido em incredulidade por uma concubina e não era contado como
herdeiro da herança prometida. Ainda, a expressão “único filho” pode
ser equivalente a “filho amado” (cf. Jo 1:18; 3:16), isto é, um filho
especial. Deus claramente disse a Abraão: “por Isaque será chamada a tua
descendência” (Gn 21:12).
GÊNESIS 22:12 –
Deus não sabia como Abraão iria agir?
PROBLEMA: Deste versículo
decorre que Deus não sabia como Abraão iria agir, em resposta à ordem que lhe
deu, já que foi somente depois de Abraão ter obedecido que Deus disse:
“agora sei que temes a Deus”. Entretanto, a Bíblia declara em outra
parte que “o seu [Deus] entendimento não se pode medir” (SI 147:5),
que ele sabe “o fim desde o princípio” (Is 46:10, SBTB), e que de
antemão nos conheceu e nos predestinou desde a fundação do mundo (Rm 8:29-30).
SOLUÇÃO: Em sua
onisciência, Deus sabia exatamente o que Abraão faria, já que ele sabe todas as
coisas (cf. Sl 139:2-4; Jr 17:10, At 1:24; Hb 4:13). Entretanto, o que Deus
sabe por cognição e o que se sabe por demonstração são duas
coisas diferentes. Depois de Abraão ter obedecido à ordem de Deus, ele
demonstrou o que o Senhor sempre soube, isto é, que Abraão temia a Deus.
Aqui de novo a
Bíblia, destinada como é a seres humanos, fala sob uma perspectiva humana. De
forma semelhante, um professor de matemática pode dizer: “Vejamos se
podemos encontrar a raiz quadrada de 49”. E então, depois de fazer a
demonstração, declara: “Agora sabemos que é 7”, muito embora ele
soubesse desde o início qual seria a resposta.
GÊNESIS 23 – Como
os filhos de Hete poderiam estar em Hebrom, em 2050 a.C, sendo que o seu reino
situava-se onde hoje é a moderna Turquia?
PROBLEMA: Hete foi o
progenitor dos hititas, cujo reino se localizou onde hoje é a moderna Turquia.
Mas, de acordo com alguma evidência arqueológica, os hititas não se
sobressaíram no Oriente Médio antes do reinado de Mursilis I, que começou a
reinar por volta de 1620 a.C. e que dominou a cidade de Babilônia em 1600 a.C.
            Entretanto, em Gênesis 23 várias
referências são feitas ao encontro de Abraão com os filhos de Hete, que
controlavam Hebrom no ano de 2050 a.C. aproximadamente. Como então a Bíblia
pode dizer que os hititas controlavam Hebrom, muitos anos antes de eles se
tornarem uma força significativa nessa região?
SOLUÇÃO: Descobertas
arqueológicas mais recentes de tábuas cuneiformes descrevem conflitos em
Anatólia (hoje Turquia), entre vários principados hititas de cerca de 1950 a
1850 a.C. Mesmo antes desse conflito, entretanto, havia uma raça de
não-indo-europeus, conhecida como povo de Hati. Esse povo foi subjugado por
invasores indo-europeus por volta de 2300 a 2000 a.C., os quais adotaram
o nome Hati. Nas línguas semíticas, como no hebraico, Hati e Hiti tinham
a mesma grafia, porque somente as consoantes eram escritas,
            Nos dias de Ramsés II do Egito, a
força militar dos hititas era suficiente para propiciar um pacto de
não-agressão entre o Egito e o império hitita, que estabeleceu limites entre
eles. Nesse tempo, o império hitita ia ao sul até Kadesh junto ao rio Orontes
(hoje Asi). Entretanto, outras evidências demonstraram que os hititas realmente
penetraram mais ainda para o sul, até a Síria e a Palestina. Embora o reino
hitita não tenha tido o seu ápice senão na segunda metade do século XIV a.C, há
suficiente base para se admitir a presença hitita em Hebrom no tempo de Abraão,
controlando aquela área.
GÊNESIS 25:1 – Por
que este versículo chama Quetura de esposa de Abraão, ao passo que 1 Crônicas
1:32 a chama de concubina?
PROBLEMA: Gênesis 25:1 diz:
“Desposou Abraão outra mulher; chamava-se Quetura”. Entretanto, 1
Crônicas 1:32 afirma: “Quanto aos filhos de Quetura, concubina de
Abraão”. Abraão casou-se com Quetura, ou era ela apenas uma de suas
concubinas?
SOLUÇÃO: A contradição é
apenas aparente, e o problema pode ser facilmente resolvido por uma abordagem
mais profunda. Primeiro, embora em Gênesis 25:1 apareça a palavra hebraica
usual para “mulher” (ishshah), esta palavra tanto pode
significar “esposa” como simplesmente “mulher”. Assim,
nesse caso, o sentido da palavra não precisa ser “esposa”, mas
simplesmente “concubina”, especialmente à luz do versículo 6 e da
afirmação feita em 1 Crônicas 1:32. Dessa forma, Gênesis 25:1 pode ser
entendido simplesmente como dizendo: “Tomou Abraão outra mulher como sua concubina”.
            Segundo, embora 1 Crônicas empregue
a palavra hebraica correspondente a concubina (pilegesh) com respeito a
Quetura, Gênesis 25:6 utiliza a mesma palavra ao se referir às mães de todos os
demais filhos de Abraão, que não Isaque. Isso sem dúvida inclui Quetura como
tendo sido uma das suas concubinas. Adicionalmente, Gênesis 25:1 começa com uma
palavra hebraica (vayoseph), que pode ser traduzida por “e
adicionando” ou “e em adição a”. Como Gênesis 24:67 claramente
afirma que Sara, esposa de Abraão, tinha morrido, o versículo 1 do capítulo 25
não poderia ter o sentido de que Abraão estivesse adicionando alguma coisa ao
seu número de esposas. É mais plausível tomar esta palavra como indicativa de
que ele estava adicionando ao seu número de concubinas, ao tomar mais uma
mulher (ishshah).
GÊNESIS 25:1-2 –
Como pôde Abraão nesta passagem ter tido filhos naturalmente, já que anos antes
ele precisara de um milagre para ter Isaque?
PROBLEMA: Já cm Gênesis 17,
Abraão “se riu” quando Deus lhe disse que ele teria um filho (Isaque)
de Sara, uma vez que ele tinha “cem anos” de idade (v. 17). Mas em
Gênesis 25, muitos anos depois, ele teve filhos de Quetura, a mulher que tomou
depois da morte de Sara (vv. 1-2).
SOLUÇÃO: Há duas
possibilidades que podem explicar esta dificuldade. Primeiro, o texto de
Gênesis 17 não diz que Abraão se riu por achar-se muito velho para ter filhos,
mas porque já havia passado o período de fertilidade de Sara (cf. 17:17;
18:12). Para um homem, naqueles tempos, não havia como saber se ele ainda era
fértil; para uma mulher, porém, isso não era problema, verificando-se a
presença ou não dos ciclos menstruais. Como Abraão tinha apenas 100 anos na
época, e viveu até os 175, é razoável admitir que ele ainda estava fértil. Em
comparação, hoje um homem que vive até os 80, normalmente ainda é fértil aos
60.
            Segundo, mesmo que tenha sido
necessário um milagre para Abraão (e também para Sara) recuperar a fertilidade,
não há por que essa fertilidade não permanecer depois por vários anos. Uma vez reanimada,
a sua potência viril poderia ter durado décadas. Afinal, ele viveu mais 75
anos. De qualquer forma, essa suposta contradição aqui simplesmente não é
aceitável.
GÊNESIS 25:8 – Os
hebreus já tinham o conceito de vida após a morte nesse ponto tão inicial de
sua história?
PROBLEMA: Críticos eruditos
afirmam que os primitivos hebreus tinham uma religião muito rudimentar, que
através dos séculos passaria por um grande desenvolvimento e evolução, chegando
por fim ao conceito de vida após a morte. Entretanto, este versículo dá a
entender que, desde o início do desenvolvimento de sua nação, os hebreus já
tinham um conceito de imortalidade.
SOLUÇÃO: Em primeiro lugar,
esta postura crítica baseia-se na premissa altamente problemática de que há um
desenvolvimento evolucionista da religião, com o monoteísmo bastante
desenvolvido sendo alcançado bem tarde. Entretanto, descobertas arqueológicas
recentes em Ebla contradizem tal especulação, mostrando que o monoteísmo foi
uma crença bem primitiva (de antes mesmo de 2000 a.C).
            Além disso, a expressão “foi
reunido ao seu povo” certamente parece indicar mais do que apenas ser
enterrado junto com seus parentes. De fato, já que Abraão deixara a sua terra
natal de Ur dos caldeus para ir à terra que Deus lhe prometera, seria uma
contradição levar seu corpo de volta à terra da casa de seu pai para ser
enterrado. A idéia de que a alma continuava a viver após a morte do corpo era
uma crença mantida por muitos povos do tempo de Abraão, incluindo-se os
sumerianos, os babilônios, os egípcios e outros.
            Além disso, esta não é a única
referência primitiva ao conceito de vida após da morte. O livro de Jó
possivelmente seja o mate antigo livro do AT, cujos eventos aconteceram em
épocas anteriores ao tempo de Abraão e dos patriarcas de Israel. Assim mesmo,
já no tempo de Jó, encontramos não somente o conceito de vida depois da morte,
mas também o de uma ressurreição corporal.
            Em Jó 19:25-26 deparamo-nos com Jó
expressando sua confiança de que, embora talvez ele não chegasse a ver sua
vindicação pessoal nesta vida, ele sabia que Deus, por fim, faria com que tudo
ficasse certo. Esta confiança o fez expressar a sua convicção de que ele
certamente iria estar diante de Deus mesmo depois de sua morte física:
“Porque eu sei que o meu Redentor, vive e por fim se levantará sobre a
terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a
Deus”. Este versículo mostra que o conceito de vida depois da morte era
uma convicção bem primitiva, e que o povo de Deus também acreditava na
ressurreição do corpo.
GÊNESIS 25:31-33 –
Jacó comprou o direito da primogenitura ou o conseguiu por meio do engano?
PROBLEMA: Este texto diz
que Jacó pediu a Esaú que lhe vendesse o
direito de
primogenitura. Mas Gênesis 29:1ss conta-nos que para recebê-lo ele valeu-se do
engano. SOLUÇÃO: Jacó comprou o “direito da primogenitura”,
mas obteve a “bênção” por meio do engano. São duas coisas diferentes.
Assim, não há uma real divergência.
GÊNESIS 26:33 –
Berseba foi assim nomeada por Abraão ou mais tarde por Isaque?
PROBLEMA: Em Gênesis 21:31
Abraão deu a essa cidade o nome de Berseba (“poço do juramento”). Mas
posteriormente (em Gênesis 26:33), Isaque deu-lhe o mesmo nome. Mas é altamente
improvável que duas pessoas diferentes, em duas ocasiões diferentes, viessem a
chamar um mesmo lugar com o mesmo nome.
SOLUÇÃO: Isto não é
absolutamente improvável, por duas razões. A primeira é que a segunda pessoa
era filho da primeira, e pode ter tido conhecimento da experiência de seu pai
naquele lugar. A segunda razão é que a experiência semelhante pela qual
Isaque passou ali pode lhe ter despertado a memória, fazendo-o lembrar-se do
nome que seu pai tinha dado àquele lugar. Assim, não é de todo incomum que
Isaque tivesse mais tarde renovado o nome que seu pai havia anteriormente dado
àquele importante lugar em suas vidas.
GÊNESIS 26:34 –
Quantas esposas teve Esaú?
PROBLEMA: Gênesis 26:34
afirma que Esaú casou-se com Judite, filha de Beeri, heteu, e com Basemate,
filha de Elom, heteu. Entretanto, Gênesis 36:2-3 afirma que as esposas de Esaú
eram Ada, filha de Elom, heteu; Oolibama, filha de Aná; e Basemate, filha de
Ismael. Esaú casou-se com a filha de Elom chamada Basemate ou com a sua filha
Ada? Teve então Esaú duas, três ou quatro esposas?
SOLUÇÃO: As esposas de
Esaú foram quatro: Judite, a filha de Beeri; Basemate, que também tinha o nome
de Ada, filha de Elom; Oolibama, filha de Aná; e Basemate, filha de Ismael. A
razão por que Judite não é mencionada em Gênesis 36:2-3 é porque ela não lhe
deu filhos, e Gênesis 36 é um registro dos “descendentes de Esaú”.
Ainda, era uma prática comum as pessoas serem conhecidas por mais de um nome.
Aparentemente Basemate, filha de Elom, também tinha o nome de Ada, e desta
forma é que ela é identificada em Gênesis 36:2, para distingui-la da
outra Basemate, que era filha de Ismael. Esaú teve assim quatro esposas.
GÊNESIS 27:42-44 –
Jacó retornou a Harã para fugir de Esaú ou para ter uma esposa?
PROBLEMA: Rebeca
disse a Jacó: “Retira-te para a casa de Labão, meu irmão, em Harã; fica
com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão” (Gn 27:43-44).
Mas em Gênesis 28:2 a razão dada foi para que tomasse “lá por esposa uma
das filhas de Labão, irmão de sua mãe”. Qual foi a razão afinal?
SOLUÇÃO: Jacó retornou
para Harã pelas duas razões. Duas ou mais razões para a mesma coisa não é
incomum na Bíblia. Compare os seguintes casos:
1.   A exclusão de Moisés da Terra Prometida foi
por causa da incredulidade (Nm 20:12), da rebelião (Nm 27:14), da transgressão
(Dt 32:51) e das palavras irrefletidas (SI 106:33).
2.   Saul foi rejeitado por Deus por um
sacrifício ilegal (1 Sm 13:12-13), por desobediência (1 Sm 28:18) e por
consultar a feiticeira de En-Dor(l Cr 10:13).
GÊNESIS 29:21-30 –
Quando Raquel foi dada a Jacó como esposa?
PROBLEMA: Em Gênesis 29:27
Labão diz a Jacó que complete a semana das festas nupciais com Lia, e que então
Raquel lhe seria dada. Entretanto, o versículo também diz que ficou acertado
entre Labão e Jacó que em contrapartida a mais um período de sete anos de serviço,
Raquel seria dada a Jacó. Quando Raquel foi dada a Jacó: no fim da semana
nupcial com Lia, ou ao se completarem os sete anos de serviço?
SOLUÇÃO: A passagem indica
que Raquel foi dada a Jacó após os sete dias que compreendiam as festas
nupciais de Lia. A festa de casamento geralmente durava sete dias (cf. Jz
14:12). Labão acertou com Jacó que Raquel se tornaria sua mulher ao fim daquela
festa de sete dias e, em contrapartida, Jacó serviria Labão por um período
adicional de sete anos. Ironicamente, Jacó, que tinha usado do engano na
questão da primogenitura de Esaú, agora fora enganado por Labão.
GÊNESIS 31:20 –
Como pôde Deus abençoar Jacó, depois de ter ele
enganado Labão?
PROBLEMA: Em Gênesis 31:20,
o texto diz que “Jacó logrou a Labão” ou seja, enganou-o, “não
lhe dando a saber que fugia”. Entretanto, Deus abençoou Jacó ao aparecer a
Labão, advertindo-o de que não falasse a Jacó “nem bem nem mal” (Gn
31:24). Como Deus pôde abençoar Jacó depois de ele ter enganado Labão?
SOLUÇÃO: Primeiro, a
tradução da palavra hebraica de Gênesis 31:20 não é necessariamente
“enganar”. Literalmente, no hebraico a frase é: “E Jacó roubou o
coração de Labão”. Esta é uma expressão idiomática hebraica que pode ser
utilizada, num determinado contexto, para significar “enganar” ou
“usar de astúcia”. Jacó não disse a Labão que ia sair, nem lhe disse
que ia ficar. A razão por que ele saiu sem nada dizer a Labão possivelmente
tenha sido o fato de que ele temia Labão (cf. Gn 31:2). Jacó tampouco tinha
qualquer obrigação de permanecer com Labão, porque ele havia cumprido tudo o
que fora tratado entre eles. Apesar das acusações feitas por Labão, eram justos
o temor de Jacó e o seu ato de sair sem nada dizer a Labão.
            Segundo, mesmo admitindo-se que Jacó
estivesse envolvido numa farsa, Deus não o abençoaria por causa desse
pecado, mas apesar de suas falhas. Este caso é outro exemplo do
princípio de que “nem tudo que é registrado na Bíblia é por ela aprovado
” (veja a Introdução).
Deus havia
escolhido Jacó para que ele viesse a tornar-se o pai das doze tribos de Israel
não porque ele fosse reto, mas por causa da graça de Deus. O Senhor pôde
abençoar Jacó segundo a sua graça, mesmo sendo ele um pecador. Através da
experiência de Jacó com Labão, e mais tarde seu confronto com Esaú e sua luta
com o anjo do Senhor à noite, é que o caráter de Jacó foi trabalhado de
forma a tornar-se um vaso adequado para o uso de Deus.
GÊNESIS 31:32 –
Como pôde Deus abençoar Raquel, tendo ela furtado os ídolos de Labão e ainda
mentido a ele sobre isso?
PROBLEMA: Gênesis 31:32
afirma que, com respeito aos ídolos, “Jacó não sabia que Raquel os havia
furtado”. Entretanto, parece que Deus
abençoou Raquel,
mesmo tendo ela mentido a Labão.
SOLUÇÃO: Deus não abençoou
Raquel por ela ter furtado os ídolos, nem por ter mentido com respeito ao seu
ato. Simplesmente pelo fato de Labão não ter descoberto que Raquel tinha sido a
ladra, isso não quer dizer que Deus a abençoou. Pelo contrário, é mais
plausível admitir que Deus não tenha exposto o furto de Raquel por causa de
Jacó, para protegê-lo. Também, Gênesis 35:16-19 relata que Raquel morreu de
parto, de seu segundo filho, Benjamim. Nos capítulos intermediários, entre
31:32 e 35:19, muito pouco é dito a respeito dela. O relato bíblico revela que
de fato Deus não abençoou Raquel pelo que ela fez, mas deixou-a num segundo
plano de importância, até a sua morte dolorosa.
GÊNESIS 32:30 – O
rosto de Deus pode ser visto?
PROBLEMA: Deus declarou a
Moisés: “homem nenhum verá a minha face, e viverá” (Êxodo 33:20; veja
os comentários de João 1:18). Moisés recebeu a permissão para apenas ver Deus
“pelas costas” (Êx 33:23). Contudo, a Bíblia nos informa que Moisés
falou com Deus “face a face” (Dt 5:4), e o mesmo é dito com respeito
a Jacó em Gênesis 32:30. Como então puderam eles falar face a face com Deus?
SOLUÇÃO: É possível um cego
falar face a face com alguém, sem, contudo, ver a face dessa pessoa. A
expressão “face a face” significa “pessoalmente”, ou
“diretamente”, ou ainda “com intimidade”. Moisés teve esse
tipo de relacionamento íntimo com Deus. Mas ele, assim como mortal algum,
jamais viu a “face” (a essência) de Deus diretamente.
GÊNESIS 46:4 –
Deus levou Jacó para fora do Egito ou foi lá que ele morreu?
PROBLEMA: Deus prometeu a
Jacó: “Eu descerei contigo para o Egito, e te farei tornar a subir,
certamente” (Gn 46:4). Entretanto, Jacó morreu no Egito (Gn 49:33) e nunca
retornou à Terra Prometida.
SOLUÇÃO: Esta promessa
cumpriu-se com Jacó de várias maneiras, das quais qualquer uma pode explicar
essa dificuldade. Primeiro, foi uma promessa à posteridade de Jacó, que do
Egito foi trazida de volta. Isto é indicado pela afirmativa: “eu farei de
ti uma grande nação” (v. 3). Segundo, Jacó foi trazido do Egito por José,
embora não com vida, e sepultado em Canaã (Gn 50:13; Gn 50:25; Êx 13:19).
Finalmente, depois da ressurreição Jacó retornará àquela Terra vivo (cf. Mt
8:11).
GÊNESIS 46:8-27 –
Por que a Bíblia fala de doze tribos de Israel, se na realidade eram catorze?
PROBLEMA: Com freqüência a
Bíblia afirma que eram doze as tribos de Israel. Contudo, em três passagens
distintas, a relação das tribos é diferente. Na realidade, havia 14 tribos
diferentes, que são apresentadas como sendo 12:
Gênesis 46
Números 26
Apocalipse 7
1.
Rúben
Rúben
Rúben
2.
Simeão
Simeão
Simeão
3.
Levi
Levi
4.
Judá
Judá
Judá
5.
Issacar
Issacar
Issacar
6.
Zebulom
Zebulom
Zebulom
7.
José
José
8.
Manasses
Manasses
9.
Efraim
10.
Benjamim
Benjamim
Benjamim
11.
12.
Gade
Gade
Gade
13.
Aser
Aser
Aser
14.
Naftali
Naftali
Naftali
Eram então doze ou
catorze tribos?
SOLUÇÃO: Nesta resposta, há
que se observar que Jacó teve apenas doze filhos. Seus descendentes
constituíram as doze tribos originais. Entretanto, por várias razões, esses
mesmos descendentes são redispostos em tempos diferentes em grupos de doze um
pouco diferentes entre si. Por exemplo, em Gênesis 48:22 Jacó concede a José
uma porção dupla de herança.
            Na relação do livro de Números,
Manasses e Efraim, filhos de José, substituem a tribo de José. Também acontece
que Levi não recebeu uma porção de terra em herança porque os levitas exerciam
a função de sacerdotes. Espalhados por todas as tribos em 48 cidades levíticas,
eles ensinavam os estatutos do Senhor às tribos (Dt 33:10). Conseqüentemente, a
dupla porção de José fica dividida entre Manasses e Efraim, seus dois filhos/de
forma a preencher a vaga deixada por Levi.
            Na passagem do Apocalipse, José e
Manasses são contados em separado, possivelmente indicando que José e Efraim
(filho de José) são contados como uma única tribo. Dã é omitido nesta relação,
possivelmente porque os danitas tomaram a sua porção pela força numa área ao
norte de Aser, separando-se de sua herança original que era ao sul. Além disso,
os danitas foram a primeira tribo a ir para a idolatria.
            Levi aparece nesta relação como uma
tribo separada, possivelmente porque, depois da cruz, os levitas não mais
exercem o seu ofício para todas as tribos e, então, podem receber uma porção
de terra por herança para si.
            Em cada caso, o autor bíblico tem o
cuidado de preservar o número original de 12 tribos, número este que tem um
significado espiritual, indicativo de uma perfeição espiritual (cf. as portas e
fundações da Cidade celestial, em Apocalipse 21).
GÊNESIS 49:5-7 Como Jacó
pôde pronunciar uma maldição sobre Levi, que em Deuteronômio 33:8-11 é abençoado
por Deus?
PROBLEMA: Em Gênesis 40:5-7,
Jacó pronuncia uma maldição sobre Levi: “Maldito seja o seu furor, pois
era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei [Simeão e Levi] em Jacó e
os espalharei em Israel” (v. 7). Entretanto, em Deuteronômio 33:8-11,
Moisés abençoa Levi: “Ensinou [Levi] os teus juízos a Jacó, e a tua lei a
Israel;… Abençoa o seu poder, ó Senhor, e aceita a obra das suas mãos”
(Dt 33:10-11).
SOLUÇÃO: Jacó pronunciou
essa maldição sobre Levi e Simeão por causa da maneira cruel com que se
vingaram dos habitantes de Siquém. Como punição pelo seu crime, eles seriam
espalhados entre as outras tribos de Israel, de forma a não obter uma terra em
possessão para si mesmos. Entretanto, a maldição sobre Levi acabou sendo uma
bênção para as demais tribos de Israel. Pois era o plano de Deus espalhar os
descendentes de Levi por toda Israel de forma que dessa tribo se pudesse dizer
depois: “Ensinou os teus juízos a Jacó, e a tua lei a Israel” (Dt 33:10).
            Não há contradição entre esses dois
pronunciamentos. Os descendentes de Levi foram espalhados, como Jacó
profetizou, mas eles foram usados por Deus para funcionar como a tribo
sacerdotal por toda a Israel, como Moisés tinha proclamado. Levi não recebeu
uma herança em terra entre as demais tribos porque, em Números 18:20, Deus
dissera: “Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio deles nenhuma
porção terás: eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de
Israel”.
GÊNESIS 49:10 –
Quem ou o que
é Siló neste versículo?
PROBLEMA: A palavra
“Silo” com freqüência é entendida como sendo uma referência a Jesus
Cristo como o Messias que viria. Silo aparece numa frase como parte das
palavras proféticas de Jacó para seu filho Judá. É através da tribo de Judá que
o Messias viria (cf. 2 Sm 7; Mq 5:2); assim, parece ser apropriado entender
este versículo como sendo uma referência ao Messias, Jesus Cristo. Entretanto,
o NT não faz referência alguma a esta profecia como tendo sido cumprida em
Cristo, nem menciona o nome Silo.
SOLUÇÃO: A solução a este
problema envolve a pontuação da vogai do Texto Massorético (MT) do AT (veja
Apêndice 1). A versão atualizada de Almeida traduz esta parte do versículo 10
da seguinte forma: “até que venha Silo”. Esta versão segue a
pontuação das vogais do texto MT e traduz a palavra hebraica shylh como
o nome próprio “Silo”. Silo (ou “Silo”) era o nome de uma
cidade situada a aproximadamente quinze quilômetros a nordeste de Betel. Embora
alguns intérpretes considerem a afirmativa feita em Gênesis 49:10 como uma
referência àquela cidade, outros têm entendido ser este nome uma referência ao
Messias.
            Entretanto, a maioria dos eruditos
propõe uma diferente pontuação e entende que a palavra significa “a quem
pertence” (como traduz a R-IBB). Esta proposição tem suporte de traduções
antigas, tais como as versões grega e siríaca do AT, e outras. Essas versões
antigas, sendo anteriores ao texto MT, também empregaram a frase “a quem
pertence”. Esta forma é ainda respaldada por Ezequiel 21:27 que afirma:
“até que venha aquele a quem ela pertence de direito”. Quando esta
parte do versículo 10 é entendida desta forma, a passagem fica: “O cetro
não se arredará de Judá, nem o bastão de autoridade dentre seus pés, até que
venha aquele a quem pertence,
e a ele obedecerão os povos”. À luz do
exposto, o significado messiânico do versículo fica muito mais claro. Pois ele
é cumprido com o Messias do NT (Cristo), como algumas passagens indicam: Mateus
2:6, Lucas 1:30-33, Apocalipse 5:5 e 19:11-16.
GÊNESIS 49:10b –
Se Judá reinaria até o Messias, por que o primeiro rei de Israel foi da tribo
de Benjamim?
PROBLEMA: Gênesis 49:10
indica que “o cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus
pés, até que venha Silo”. Mas a história registra que o primeiro rei de
Israel (Saul) era “da tribo de Benjamim” (At 13:21; 1 Sm 9:1-2).
SOLUÇÃO: Este problema
existe quando “Silo” é entendido como uma referência ao Messias.
Alguns eruditos entendem ser uma referência a uma cidade em Efraim, onde o
Tabernáculo de Moisés foi erigido. Com esta interpretação, Judá era para ser o
líder das doze tribos por todo o tempo no deserto, até chegarem na Terra
Prometida.
Mesmo que
“Silo” seja uma referência ao Messias, não há um problema real aqui,
já que o Messias veio da tribo de Judá (cf. Mt 1:1-3,16; Ap 5:5). Aos olhos de
Deus, Davi (e não Saul) é que foi sua escolha para o primeiro rei de Israel
(cf. 1 Sm 15-16). Assim, a tribo de Judá sempre foi a linha governante, da qual
veio o Messias.
GÊNESIS 49:14-15 –
Por que Jacó profetizou escravidão para Issacar, mas em Deuteronômio 33:18-19
Moisés profetizou uma bênção?
PROBLEMA: Em Gênesis
49:14-15 Jacó profetiza que Issacar se submeteria “ao serviço forçado de
um escravo” (v. 15-R-IBB). Entretanto, em Deuteronômio 33:19 Moisés prediz
que Issacar participaria da “abundância dos mares” e dos
“tesouros escondidos da areia”.
SOLUÇÃO: A história da
tribo de Issacar indica que Jacó estava antevendo um tempo em que, por causa de
suas possessões de terra, Issacar se curvaria diante de invasores estrangeiros
sob o comando de Tiglate-Pileser, não lutando por sua libertação. Moisés,
entretanto, estava antevendo um tempo anterior a essa invasão, em que a tribo
de Issacar prosperaria na planície fértil que há entre as montanhas de Gilboa e
Tabor. A prosperidade que eles alcançaram levou-os a uma vida relativamente
livre de problemas, uma característica aludida na figura de um jumento
preguiçoso “deitado entre dois fardos” (Gn 49:14, R-IBB), não
disposto a removê-los. Tal prosperidade numa terra que sempre era ameaçada por
invasores estrangeiros e a sua indisposição de ser privado de suas possessões
pela liberdade, finalmente criou a servidão de Issacar prevista por Jacó.

Extraído do livro: “Manual Popular de
Dúvidas, 
Enigmas
“Contradições” da
Bíblia”

15 comments

  1. Entre tantos maus exemplos escritos na Bíblia.
    Gênesis 19 : 32…..
    32. Vem, demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele, para que conservemos a descendência de nosso pai.
    36 Assim as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.

  2. É como você avalia estes “fatos históricos” ??.
    Porque deus não interferiu ??.
    Qual é a parte sagrada disso ??.
    Ou a culpa (mais uma vez) e do livre arbítrio….??.

  3. Na bíblia deus matou 2.270.369 (dois milhões duzentos e setenta mil trezentos e sessenta e nove) pessoas.
    Muitas por motivos banais (Como chamar Eliseu de calvo). Apesar de que motivo algum justifique um assassinato.

    Mas neste episodio (das filhas de Ló) não quis interferir.

  4. Vamos falar um pouco do extermínio daquelas setenta mil almas que pereceram em um único dia, abatidas por um anjo do Senhor Deus. Por que? Quais os crimes destas pessoas? Ora, o rei Davi atreveu-se a desobedecer a Deus mandando (por um capricho) contar quantos “pegavam em armas” nos seus domínios.
    Ainda, como foi mesmo o princípio da criação? vejamos, me perdoem se cometo alguma gafe, não sou estudioso da bíblia, apenas procuro exercitar o centro de todo o poder do ser humano, ou seja: “o cérebro”. Vamos ao texto de Gêneses, capitulo 01, versículo 01: “No princípio havia o abismo e a face de Deus passeava sobre as águas”. Eu quero saber o seguinte: QUE ÁGUAS ERAM AQUELAS, se NADA ainda tinha sido criado por Deus? E, se, Deus, diante de toda sua grandeza e onipotência, sem mencionarmos a natureza eterna, até aquele momento ainda não conhecia a luz? Será que, Nunca, em época nenhuma tivera algum contato com alguma espécie de luz? Ora, o texto diz: “E viu o senhor Deus que a luz era boa”. Eu sei…Tenho certeza de que alguns destes “maravilhosos estudiosos” da bíblia vão encontrar as devidas respostas para estas indagações. Afinal, se eu defendo ferrenhamente uma tese por que vou vacilar, não é mesmo?

  5. Achei muito interresante e vi que vc é um cars esforçado. Mas em recente pesquisa foi avaliada a questão da arca de Noé e pode ter sido realmente possível,contudo há um problema. Existem espécies de animais pertencentes a determinados locais na terra que teriam dificuldade de serem levados a arca uma vez que eles existem apenas naquele local,o canguru por exemplo está a milhares de quilômetros da África,e passado o diluvio como teria o animal voltado a Austrália? Moisés não sabia da existência de outros continentes,para ele todos od animais daquele local eram todos os animais do mundo!

  6. não me aprofundei ainda na sua pagina, mais o pouco que eu pude ler fiquei sem saber qual a sua tese Deus existe ou não? eu acredito em Deus e no sobrenatural de Deus, acredito que se alguem está com Deus autómáticamente tem o Espirito Santo.. é como a fome vc ver a fome vc sente a fome… não sei se é uma boa forma de me expressar mais espero que tenha entendido.

  7. DEUS NÃO PRECISA SE JUSTIFICAR MEU IRMÃO….VOCÊ ACREDITA EM DEUS???? A ÚNICA FONTE DE CONHECIMENTO SOBRE DEUS É A BÍBLIA SAGRADA…EU CREIO….DEUS NÃO PRECISA DO SOL…NÓS PRECISAMOS….DEUS É A PRÓPRIA LUZ…A BÍBLIA EXPLICA ISTO….Apocalipse 21:23 – A cidade não precisa de sol nem de lua para brilharem sobre ela, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua candeia. Se vc procurar encontrará solução…..Agora meu irmão não queira desvendar Deus…é impossível…..Você vai querer questionar tbm que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria??? tem explicação??? ELE É DEUS MEU AMIGO….SÓ VC MESMO QUERER QUE MOISÉS ESTIVESSE “IN LOCO”, PARA ESCREVER SOBRE DEUS…….

  8. Concordo com muitas coisas explicadas acima, porém o principio e fim na bíblia são totalmente consoantes entre si. Digo isto no sentido de que, no Apocalipse, Deus deixou vários ”enigmas”, alguns possíveis de se interpretar, outros não. assim sendo, o livro Gênesis possui alguns enigmas sobre criação e RESTAURAÇÃO do mundo, e é possível comprovar pela diferença de palavras que tem o sentido parecido, porém não tem exatamente o mesmo significado, cabendo assim ao leitor não somente ler mas também interpretar tais palavras.
    No livro de II Pedro 2:4 a bíblia revela que com a queda de Lúcifer e seus anjos (sobre a terra), Estes foram precipitados no inferno e entregues ao abismo de trevas. Ora pois, em Gênesis 1-1 Deus diz que NO PRINCÍPIO DE TUDO já havia criado os céus e a terra. Em Gênesis 1-2 diz que a terra era sem forma e vazia! what??? a resposta é um enigma, porém possível de decifrar. Genes… 1-2: ” e a terra era sem forma e vazia e HAVIA TREVAS SOBRE A FACE DO ABISMO…” veja que faz a mesma referencia que a passagem de Daniel. Então nesta parte fica claro que se terra era sem forma e vazia se deu pela queda de Lúcifer que destruiu tudo oque nela havia (os dinossauros que morreram antes de nossa criação por exemplo).
    veja também Gênesis 1:21 e 1: 26-28, SOMENTE NESTAS PASSAGENS Deus usa a palavra CRIOU. nas outras passagens ele usa palavras como: HAJA (no sentido de apareça). PRODUZA CONFORME SUA ESPÉCIE ( é preciso que já exista uma espécie para que isto aconteça).
    Veja também Gênesis capitulo 2: 1-3, no qual ele diz que Deus descansou de sua obra (por que a palavra OBRA ao invés de somente CRIAÇÃO?), e ainda no capitulo 2:3 Deus diz que descansou de toda sua OBRA que Deus CRIARA E FIZERA (quando a bíblia faz muita repetição de palavras se atentem a isto), vejam novamente duas palavras que parecem ter exatamente o mesmo significado, porém tem sentidos diferentes. Note que as palavras FIZERA OU FEZ parecem ter o mesmo sentido de ”criara, criou”, porém elas tem o sentido de ”Restauração” leia atentamente e veras que não é picuinha, tudo fará sentido.
    Portanto, a terra perdeu sua forma pela contaminação do mal (Deus deixa bem claro no primeiro versículo que Ele já à havia criado), pela queda de Lúcifer e seus anjos, veio Deus e criou novas coisas, porém também restaurou outras. Depois a terra foi novamente amaldiçoada com a queda de Adão pela contaminação do pecado (disseminado por Satanás), no qual o pecado entrou no mundo e se alastrou, porém sera novamente exterminado, conforme Apocalipse.

  9. Antes de voces sairem dando opiniões leiam a biblia inteira Nao saiam falando sobre uma pequena parte que voces leram,ou seja, nao leiam um versiculo e se baseiam apenas nele
    Sobre Genesis 1:26 em que Deus diz “Façamos o Homem nossa imagem e semelhança”
    SIGNIFICADO:”Facamos”: Deus ele é tres em um,um Deus triuno
    Deus Pai: O proprio Deus em si
    Deus Filho:Jesus
    Deus Espirito:O espirito santo

  10. Se os senhores querem a verdade, terão que ler livros mais antigos que a biblia, eles tem a explicação para muitas passagens que a biblia tem e que parecere que falta alguma coisa, a biblia como muitos pensam, não é o livro mais antigo do mundo, e seus primeiros cinco livros foram copias mal feitas de um livro muito mais antigo chamado ENUMA HELISH, da civilização Sumeria, se querem saber mais, e tiverem coragem para saber a verdadeira historia da humanidade sobre a terra, leia as traduções do autor Zacharia Sithim intitulados CRÔNICAS DA TERRA.

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